Presidente da Fifa é alvo de investigação no Parlamento Europeu

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35 eurodeputados pedem investigação contra Infantino após suposta interferência de Trump no caso Balogun na Copa do Mundo
A suspensão do cartão vermelho de Folarin Balogun, atacante dos Estados Unidos, na Copa do Mundo gerou um novo capítulo político de grande repercussão. Na última terça-feira (7/7), deputados do Parlamento Europeu articularam um pedido formal de investigação contra Gianni Infantino, presidente da Fifa, em razão da suposta interferência da Casa Branca na decisão que permitiu ao jogador atuar nas oitavas de final do torneio. A justificativa para a investigação é a alegada influência do presidente norte-americano Donald Trump sobre Infantino para garantir a presença de Balogun em campo no confronto entre Estados Unidos e Bélgica. A suspensão dos efeitos do cartão vermelho teria sido resultado de um pedido direto de Trump ao dirigente da Fifa, o que levantou questionamentos sobre a integridade das competições esportivas. O pedido de investigação é liderado pelos eurodeputados Barry Andrews, Lara Wolters e Niels Fuglsang.
Em nota conjunta, os parlamentares afirmam que a autorização para que Balogun atuasse representa uma quebra da lisura das competições esportivas. "Alterar a regra sobre suspensões por cartão vermelho durante o torneio é uma vergonha e uma perversão da justiça. Mais uma vez vimos Infantino e a FIFA se renderem às exigências da administração Trump", diz trecho da nota. Até o momento, 35 deputados do Parlamento Europeu assinaram o documento. Balogun havia sido expulso pelo árbitro brasileiro Raphael Claus, aos 19 minutos do segundo tempo da vitória dos Estados Unidos por 2 x 0 sobre a Bósnia e Herzegovina, pela fase de 16 avos da Copa do Mundo. A suspensão automática, decorrente de uma entrada dura sobre o adversário Tarik Muhamerovic, deveria ter sido cumprida no jogo seguinte, contra a Bélgica, pelas oitavas de final.
No entanto, a Fifa revogou os efeitos do cartão vermelho e o atacante entrou em campo para o confronto contra os belgas. Segundo a Fifa, em aplicação do Artigo 27 do Código Disciplinar da entidade, a execução da suspensão automática de uma partida de Balogun ficou suspensa por um período probatório de um ano. A decisão foi divulgada no último domingo (5/7), após uma ligação de Donald Trump a Infantino, na qual o presidente norte-americano pediu a suspensão do cartão vermelho do atacante. A Bélgica chegou a recorrer da decisão, mas a Fifa rejeitou o recurso antes mesmo da bola rolar entre as duas seleções.
O suposto envolvimento do governo dos Estados Unidos no episódio repercutiu negativamente em outros âmbitos. Glenn Micallef, comissário da União Europeia para o Esporte, criticou o caso em publicação na rede social X, afirmando que decisões esportivas na Copa do Mundo não podem sofrer interferências de líderes políticos. Dentro de campo, Balogun não conseguiu fazer a diferença diante da marcação eficiente da Bélgica. Os Diabos Vermelhos venceram o duelo por 4 x 1, avançaram para as quartas de final da Copa do Mundo e eliminaram os Estados Unidos do torneio. O resultado, porém, não encerrou a polêmica em torno da atuação de Infantino e da Fifa no caso.