IEDI aponta Brasil na 69ª posição de crescimento industrial

Relatório do IEDI mostra que a indústria brasileira cresceu 1,5% no trimestre, mas recuou 0,1% no comparativo anual
A indústria de transformação brasileira apresentou uma melhora no curto prazo, mas ainda enfrenta dificuldades para retomar o ritmo de crescimento dos anos anteriores. Segundo relatório do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (IEDI), o setor cresceu 1,5% no 1º trimestre de 2026 em relação aos três meses anteriores, superando a média mundial de 1,2%. No entanto, na comparação anual, houve retração de 0,1%, o que levou o Brasil à 69ª posição no ranking global de crescimento industrial, entre 90 países analisados. O levantamento do IEDI foi elaborado com base em dados da Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (Unido) e revela uma trajetória de perda de posições do Brasil nos últimos anos.
No 4º trimestre de 2025, o país ocupava a 80ª colocação, o que significa um avanço de 11 posições no período mais recente. Já em relação ao 1º trimestre de 2025, quando o Brasil estava na 47ª posição, houve uma queda de 22 posições. A comparação com o mesmo período de 2024 é ainda mais expressiva: naquele momento, o país ocupava a 33ª posição, com crescimento de 1,7%, representando uma queda de 36 posições no ranking. Apesar da retração anual de 0,1%, o desempenho da indústria de transformação brasileira ainda se mostrou superior ao de outras economias relevantes. A África do Sul ficou na 70ª posição, com queda de 0,3%; o México, na 78ª, com recuo de 1,8%; a Alemanha, na 82ª, com retração de 2,6%; e o Chile, na 83ª, com queda de 3,7%.
De acordo com o relatório do IEDI, o aumento das taxas de juros no Brasil foi um dos principais fatores que contribuíram para interromper o dinamismo da atividade industrial e para o recuo do país no ranking global de crescimento. O documento aponta que essa pressão financeira limitou a capacidade de expansão do setor ao longo do período analisado. Na comparação anual, o desempenho brasileiro ficou próximo da estabilidade e contribuiu para um resultado menos negativo da indústria na América Latina como um todo. Já na comparação trimestral, o avanço de 1,5% registrado pelo Brasil ajudou a região a alcançar crescimento de 0,3%, compensando as retrações do México (-0,7%) e do Chile (-1,9%). Apesar da melhora registrada no início de 2026, o Brasil permanece no terço inferior do ranking de crescimento industrial entre os 90 países considerados pelo IEDI. O resultado indica que o setor ainda não recuperou o ritmo de expansão observado nos anos anteriores, sinalizando que os desafios estruturais e conjunturais seguem presentes.