Trump elogia ICE após agentes matarem dois imigrantes em seis dias

Donald Trump, presidente dos EUA — Foto: Evan Vucci
Trump defende o ICE após agentes federais matarem dois imigrantes em seis dias e descarta suspensão das abordagens de trânsito
Donald Trump elogiou publicamente o trabalho do ICE, o Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA, após agentes federais matarem dois imigrantes em um intervalo de apenas seis dias. O presidente norte-americano também declarou que não suspenderá as abordagens de trânsito realizadas pelo órgão, mesmo diante dos recentes episódios fatais.
Trump afirmou que os agentes do ICE fazem um trabalho "excelente, que precisa ser feito". Sem mencionar diretamente os casos recentes, o presidente sustentou que a criminalidade caiu no país em razão das operações do ICE. Ele ainda culpou o que chamou de "política de fronteiras abertas" do ex-presidente Joe Biden, afirmando que a administração democrata permitiu que 25 milhões de pessoas entrassem no país "sem qualquer controle ou verificação". "Muitos eram criminosos, e precisamos expulsá-los", publicou Trump em sua rede social Truth Social.
A declaração de Trump contradiz um anúncio anterior de que haveria uma pausa temporária nas abordagens a veículos, medida adotada após agentes do ICE terem matado a tiros dois homens no Texas e no Maine. Na véspera, autoridades do governo informaram que o ICE havia ordenado a suspensão temporária dessas abordagens.
"Não se trata de uma mudança de política, mas de uma pausa temporária", disse Tom Homan, responsável pela política de fronteiras do governo Trump, ao canal Fox News. "Esta será uma revisão de curto prazo para garantir que os agentes do ICE estejam seguros e agindo da maneira correta", acrescentou Homan.
Os dois casos que geraram a controvérsia
Na segunda-feira, um agente do ICE matou um motorista colombiano na cidade costeira de Biddeford, no Maine, cerca de 24 km ao sul de Portland. Antes disso, em 7 de julho, um agente do ICE em Houston atirou em um cidadão mexicano ao tentar parar seu veículo. Os tiroteios consecutivos provocaram protestos no Maine, em Houston e em Boston, além de levantarem questionamentos sobre a falta de câmeras corporais nos agentes do ICE.
O Departamento de Segurança Interna dos EUA, que supervisiona o ICE, classificou os dois homens como "estrangeiros ilegais". Ainda assim, reconheceu que nenhum deles era o alvo pretendido das operações de deportação que resultaram em suas mortes. As autoridades federais não apresentaram nenhuma evidência que sustente a alegação de que qualquer um dos homens representasse uma ameaça aos agentes do ICE ou ao público em geral, o que justificaria o uso de força letal para detê-los.
Desde janeiro de 2025, pelo menos sete pessoas foram mortas a tiros durante operações federais de fiscalização de imigração. Desde que retornou ao cargo, Trump deu início a deportações em massa, cumprindo promessas de campanha de endurecimento nas políticas de imigração dos Estados Unidos.