Ibovespa sobe com expectativa de paz entre EUA e Irã

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O Ibovespa opera em alta impulsionado por expectativas de negociações entre EUA e Irã, mas petróleo em queda e Vale limitam os ganhos
O Ibovespa opera em alta nesta última segunda-feira de julho, acompanhando a valorização dos índices acionários do Ocidente e o recuo dos rendimentos dos Treasuries norte-americanos. O apetite por risco é impulsionado pelas expectativas de retomada nas negociações de paz entre EUA e Irã, movimento que poderia evitar um quinto mês consecutivo de desvalorização do principal indicador da B3. Apesar do otimismo, as preocupações geopolíticas permanecem no radar dos investidores em uma semana de agenda densa, que inclui a decisão de juros nos Estados Unidos, a divulgação do IPCA-15 e os balanços de grandes empresas de tecnologia norte-americanas, como a Meta, além da mineradora brasileira Vale. A possibilidade de um cessar-fogo entre as partes em conflito derruba o petróleo mais de 5%, com o Brent sendo negociado a US$ 86 por barril, o que limita um avanço mais expressivo do Ibovespa.
O minério de ferro também fechou em queda de 0,27% na bolsa de Dalian, na China, pressionando as ações da Vale em um dia de noticiário intenso envolvendo a companhia. "O Ibovespa só não sobe mais por causa da Petrobras, que tem um peso grande. O recuo do petróleo é fator positivo, mas a incerteza geopolítica ainda é elevada", avalia Tadeu Arantes, head de alocação da Ghia Multi Family Office. Em contrapartida, ações mais sensíveis ao ciclo econômico e papéis do setor bancário avançam, beneficiadas pelo recuo dos juros futuros. "Ações domésticas consumo sobem mais do que o Ibovespa", completa Arantes.
Antes da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), prevista para a próxima quarta-feira, o mercado acompanhará o IPCA-15 de julho, a ser divulgado na terça-feira, além de dados do mercado de trabalho medidos pela Pnad e pelo Caged. Em paralelo, o Federal Reserve (Fed) deve manter os juros dos EUA na faixa entre 3,50% e 3,75% nesta quarta. O boletim Focus divulgado nesta manhã trouxe redução na estimativa mediana para o IPCA de 2026, de 5,15% para 5,12%, ainda bem acima do teto da meta de inflação, fixado em 4,5%. Por outro lado, as projeções para o IPCA de 2027 subiram de 4,20% para 4,22%, e as de 2028, de 3,78% para 3,80%. As estimativas para a Selic não foram alteradas, permanecendo em 14% ao ano para 2026.
Questões políticas também entram no radar dos investidores, com pesquisas eleitorais como Datafolha e BTG/Nexus e o lançamento oficial das candidaturas à Presidência da República. "Mais do que nunca, a eleição entra no radar e pode fazer mais preço", afirma Arantes. No campo corporativo, Marcelo Gasparino pediu renúncia do conselho da Vale após a destituição anunciada pelo órgão. O Goldman Sachs, por sua vez, rebaixou a recomendação para as ações da mineradora de compra para neutra, avaliando que há poucos catalisadores no curto prazo. Na sexta-feira passada, dia 24, o Ibovespa encerrou em baixa de 1,52%, aos 174.041,95 pontos, acumulando alta semanal de 0,19%. Às 11h09 desta segunda-feira, o índice subia 0,20%, na máxima em 174.449,94 pontos, ante abertura na mínima de 174.048,13 pontos. Petrobras cedia quase 2,5% e Vale recuava 0,52%. Entre os bancos, Itaú e Bradesco avançavam cerca de 1%. Na ponta das maiores altas, Hapvida subia 5,95%, enquanto Prio liderava as perdas, com queda de 3,26%.