Bivar, ex-aliado de Bolsonaro, será suplente do PT no Senado

Foto: Câmara dos Deputados/Reprodução
PT aprova ex-aliado de Bolsonaro como suplente de Humberto Costa na disputa pelo Senado em Pernambuco
O Partido dos Trabalhadores (PT) aprovou a indicação do deputado federal Luciano Bivar (MDB) como suplente do senador Humberto Costa (PT), que disputa a reeleição em Pernambuco. Bivar, ex-aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), recebeu o aval da cúpula petista às vésperas da definição da chapa ao Senado, que seria homologada durante convenção na segunda-feira (20/7). A decisão foi tomada durante um encontro realizado no município de Bom Conselho, no agreste pernambucano, no sábado (18/7).
A reunião reuniu dirigentes estaduais, representantes municipais, parlamentares e lideranças do partido de diversas regiões do estado. Durante o encontro, o presidente do PT em Pernambuco, deputado Carlos Veras, destacou que a Federação Brasil da Esperança (PT/PCdoB/PV) trata como prioridade a reeleição dos seus políticos mais experientes no Congresso Nacional e na Assembleia Legislativa, além da campanha presidencial de Luiz Inácio Lula da Silva. Na segunda-feira, PT, PCdoB e PV realizaram a convenção no Recife para definir os candidatos que representarão a legenda nas urnas em 4 de outubro. No encontro, foram homologadas as chapas proporcionais e a composição da Federação na chapa majoritária.
A assessoria de Humberto Costa confirmou que Bivar ficaria com a suplência do senador, mas ressaltou que é necessário "referendar o nome na sua convenção partidária". Caso Humberto Costa seja reeleito e precise, eventualmente, se afastar do mandato, Bivar assumiria a cadeira no Senado.
Em 2018, Bivar, então presidente do PSL, abriu as portas de sua legenda — até então um partido de aluguel de médio porte — para abrigar a candidatura presidencial de Bolsonaro. A parceria foi um sucesso eleitoral, catapultando Bolsonaro à Presidência e transformando o PSL na segunda maior bancada da Câmara dos Deputados. A aliança política, no entanto, durou menos de um ano e se desfez em outubro de 2019, em razão de uma disputa pelo controle do diretório nacional e das finanças do partido. O estopim público ocorreu quando Bolsonaro desaconselhou um apoiador a se filiar ao PSL, afirmando que Bivar estava "queimado para caramba". O episódio desencadeou uma guerra de narrativas, auditorias internas e acusações mútuas de infidelidade entre os dois líderes. A crise culminou com a desfiliação de Bolsonaro e de sua ala ideológica do partido, deixando a relação entre ambos permanentemente rompida e marcada por forte antagonismo político.