Mais duas pessoas foram curadas do HIV, dizem médicos

Foto: Wikimedia Commons
Médicos apresentaram os casos na 26ª Conferência Internacional Sobre Aids, no Rio de Janeiro; lista chega a 13 pacientes
Até hoje, poucas pessoas foram consideradas possivelmente curadas do HIV. Nesta segunda-feira (27/7), mais dois indivíduos passaram a integrar essa seleta lista, que agora chega a 13 pacientes no total. Os dois casos foram apresentados por médicos na 26ª Conferência Internacional Sobre Aids, realizada no Rio de Janeiro. Ambos os pacientes receberam transplante de células-tronco para tratar outras condições e já estão há pelo menos um ano sem fazer uso de medicamentos antirretrovirais para controlar o HIV.
Um dos casos é identificado como o "paciente do Kansas", um homem de 21 anos que vivia com HIV e enfrentava uma forma agressiva de leucemia. Ele passou por um transplante de células-tronco de uma doadora compatível portadora da mutação rara CCR5-delta32, que impede a entrada do HIV nas células. O jovem enfrentou complicações ao longo do tratamento e precisou passar por um segundo transplante. Em fevereiro de 2025, os médicos suspenderam o uso dos antirretrovirais. Pelo menos 14 meses depois, o HIV seguiu sem ser detectado no sangue, e nenhuma célula infectada capaz de reiniciar a infecção foi encontrada.
O outro paciente apresentava duas formas do HIV e também foi submetido a um transplante de células-tronco, desta vez com material de um doador que igualmente carregava a mutação CCR5-delta32. Quatro anos após a intervenção, os medicamentos antirretrovirais foram suspensos. Um ano depois, os exames laboratoriais não conseguiram detectar nenhum vírus HIV com capacidade de se multiplicar. Apesar de ambos os pacientes apresentarem remissão por mais de um ano, médicos e pesquisadores ainda evitam utilizar o termo "cura do HIV".
O vírus pode permanecer oculto em células de defesa adormecidas, que não são alcançadas pelos antirretrovirais, além de poder se esconder em tecidos do intestino e do sistema nervoso. Por esse motivo, os pacientes continuam sendo acompanhados por anos. Todos os pacientes considerados em possível remissão até o momento passaram por transplantes de células-tronco para tratar outras condições, como leucemia, linfoma e outras doenças do sangue. Apesar dos resultados promissores, o procedimento não é visto como uma opção viável para curar o HIV em larga escala, já que os riscos do transplante ainda superam consideravelmente os benefícios para a população em geral.