Hipertensão atinge quase 3% da população adulta do Brasil

Hipertensão afeta quase 30% dos adultos brasileiros e especialista desfaz mitos que comprometem prevenção e tratamento
A Hipertensão afeta cerca de 30% da população adulta brasileira e ainda é cercada por desinformação que pode comprometer a prevenção e o tratamento Conhecida popularmente como pressão alta, a Hipertensão é caracterizada pela elevação persistente da pressão que o sangue exerce sobre as artérias, obrigando o coração a trabalhar mais para bombear o sangue por todo o corpo.
O Departamento de Hipertensão Arterial da Sociedade Brasileira de Cardiologia (DHA/SBC) destaca que a condição está entre as principais causas de infarto, acidente vascular cerebral (AVC), insuficiência cardíaca e doença renal crônica. Dados do Vigitel 2025, do Ministério da Saúde, mostram que a proporção de adultos brasileiros com diagnóstico médico de Hipertensão passou de 22,6% em 2006 para 29,7% em 2024, evidenciando o avanço da condição e seu impacto crescente na saúde pública. Apesar dos números alarmantes, a doença ainda é cercada por dúvidas e mitos. "Apesar do avanço da doença do país, ainda existem muitas dúvidas que a cercam, principalmente sobre quem pode desenvolver pressão alta. É importante deixar claro que a Hipertensão não é uma doença exclusiva dos idosos e tem sido cada vez mais observada em adultos mais jovens, o que reforça a importância do diagnóstico precoce e do acompanhamento médico regular", alerta o Dr. Fábio Argenta, médico cardiologista e diretor de Relações com os Representantes Regionais do DHA/SBC. A seguir, cinco mitos e verdades sobre a Hipertensão explicados pelo especialista.
Diminuir o consumo de sal é uma medida importante, mas está longe de ser suficiente. Grande parte do sódio ingerido pelos brasileiros está escondida em alimentos industrializados, como embutidos, temperos prontos, macarrão instantâneo e congelados. "Controlar a pressão também depende de outros hábitos saudáveis para além da alimentação balanceada, como a prática regular de atividade física, sono de qualidade, aferição regular da pressão arterial e check-up médico", completa o Dr. Fábio Argenta.
A exposição prolongada ao estresse e à sobrecarga emocional pode contribuir para o aumento da pressão arterial e favorecer o desenvolvimento da Hipertensão. O tema ganhou ainda mais relevância com a atualização recente da NR-01, que passou a exigir das empresas maior atenção aos riscos psicossociais no ambiente de trabalho. "Saúde mental e saúde cardiovascular caminham juntas. Ambientes com pressão constante, excesso de demandas e esgotamento emocional podem impactar diretamente a pressão arterial, especialmente em pessoas com predisposição à Hipertensão", explica o médico.
Na maioria dos casos, a pressão alta não provoca nenhum sintoma, razão pela qual é conhecida como uma doença silenciosa. Quando surgem sinais como dor de cabeça, tontura, visão embaçada ou palpitações, geralmente indicam que a pressão já está muito elevada. "Esperar sentir algum sintoma para medir a pressão é um erro. A única forma de identificar a Hipertensão precocemente é aferindo a pressão regularmente", orienta o especialista.
A genética exerce influência direta no risco de desenvolver Hipertensão. Quem tem pais hipertensos deve redobrar a atenção, mantendo hábitos saudáveis e realizando o acompanhamento regular da pressão arterial. "O histórico familiar não determina que a pessoa terá Hipertensão, mas indica a necessidade de um cuidado maior com a prevenção e o diagnóstico precoce", informa o diretor médico do DHA. *