Galípolo diz que EUA usam Pix como pretexto para impor tarifas ao Brasil

Foto: Jose Cruz/Agência Brasil
Presidente do Banco Central rebate argumento norte-americano e aponta que mercado de cartão de crédito cresceu 150% após lançamento do Pix
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou nesta quinta-feira (16) que os Estados Unidos utilizam o Pix como pretexto para tarifar o Brasil.
Em coletiva de imprensa, Galípolo explicou que a ferramenta de pagamentos digitais, lançada em 2020, não prejudicou o uso de cartões de crédito ou débito no país. Pelo contrário, segundo ele, o mercado cresceu.
O argumento norte-americano foi levantado na investigação do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), com base na seção 301 da lei geral do comércio. Nesse contexto, os EUA alegaram que o Pix representaria uma prática de concorrência desleal contra empresas de bandeiras de cartões de crédito.
"Os argumentos contra o Pix são o caso mais flagrante de um tipo de desculpa para criar uma 'lógica' em uma tarifa que, inicialmente, tinha lógica na balança comercial e depois foi alterada. O Pix cumpre as funções do dinheiro em pagamentos digitais. Uma vez analisado o que aconteceu efetivamente a partir da implementação do Pix, o mercado de cartão de crédito cresceu 150%", declarou Galípolo.
O presidente do Banco Central também destacou que os meios de pagamento que perderam espaço com a chegada do Pix foram os cheques e o dinheiro físico, o que, segundo ele, é positivo por reduzir os custos de transações na economia.
"A implementação do Pix é benéfica para quem demanda e quem oferta, setor público e privado. Isso é reconhecido internacionalmente, temos manifestações do FMI. O próprio Paul Krugman, economista norte-americano que ganhou o Prêmio Nobel, disse que o Brasil talvez tenha inventado o futuro do dinheiro", completou Galípolo.
O novo tarifaço de Trump
Na quarta-feira (15), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confirmou a imposição de uma tarifa adicional de 25% sobre uma série de produtos brasileiros. A medida foi resultado de uma investigação do USTR com base na seção 301, que identificou práticas comerciais consideradas prejudiciais aos interesses americanos.
De acordo com o USTR, a investigação concluiu que medidas brasileiras em seis áreas restringem os negócios de "agricultores, trabalhadores, inovadores e exportadores" americanos.
As áreas apontadas incluem comércio digital e serviços de pagamento eletrônico; tarifas preferenciais consideradas desleais; enfraquecimento no combate à corrupção; proteção à propriedade intelectual; acesso ao mercado de etanol; e desmatamento ilegal.
Além do etanol e do aço, serão afetados pelo novo tarifaço itens como açúcar orgânico, máquinas agrícolas, papel e vestuário.
Conforme divulgado pela CNN, o USTR também publicou uma extensa lista de produtos relevantes para as exportações brasileiras que estão isentos da nova cobrança, como carne bovina, café, petróleo e laranjas.