Inpe flagra deslocamento que causou ventos acima de 120 km/h no RJ e SP

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Imagens do Inpe mostram o avanço da frente de rajada que causou ventos acima de 120 km/h em São Paulo e no Rio de Janeiro
Imagens de satélite registradas pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) mostram o deslocamento do sistema meteorológico responsável pelas rajadas de vento que superaram 120 km/h em São Paulo e no Rio de Janeiro na última quarta-feira (29). A sequência acompanha a movimentação das nuvens e dos ventos próximos à superfície entre 10h e 19h, no horário de Brasília, revelando o avanço de uma "frente de rajada" sobre o Sudeste do país. As imagens evidenciam a nebulosidade associada à frente fria avançando em direção ao litoral do Sudeste. À frente desse sistema, o encontro do ar frio e úmido com a massa de ar quente e seco que predominava na região favoreceu a formação do fenômeno. "Esse contraste entre duas massas de ar de propriedades muito diferentes favoreceu a formação de ventos muito intensos. Na meteorologia, chamamos isso de frente de rajada", explica ao g1 César Soares, meteorologista da Climatempo.
- Às 11h no horário de Brasília, a maior concentração de nuvens aparecia sobre o Paraná e avançava em direção a São Paulo e ao oceano, sinalizando o início do deslocamento do sistema pelo Sudeste.
- Às 14h de Brasília, a nebulosidade já avançava em direção ao litoral paulista e ao Rio de Janeiro, com uma extensa faixa de nuvens cobrindo progressivamente a região.
- Às 16h30 no horário de Brasília, a faixa de nuvens já cobria o leste de São Paulo e grande parte do Rio de Janeiro, intensificando os ventos na superfície. - Às 18h no horário de Brasília, já durante o anoitecer, as nuvens continuavam visíveis sobre São Paulo, o Rio de Janeiro e o oceano.
Os tons de amarelo e laranja sobre o Paraná e o sul de São Paulo indicam nuvens com topos mais frios, visualizadas por meio de dados do infravermelho. A mudança na visualização das imagens ao longo do dia ocorre porque, sem a luz do Sol, a composição em cores naturais deixa de mostrar a superfície com a mesma nitidez. Os dados do infravermelho permitem acompanhar as nuvens também durante a noite.
Os tons indicam a temperatura de brilho observada pelo satélite do Inpe: áreas mais frias correspondem a nuvens com topos mais altos, enquanto temperaturas maiores aparecem em nuvens mais baixas ou na própria superfície. As cores, porém, não representam diretamente a intensidade da chuva e também não permitem medir as rajadas pontuais que superaram 120 km/h, valores registrados por estações e equipamentos em solo.
A "frente de rajada" é uma faixa de ventos fortes que se desloca à frente de uma frente fria ou de uma área de tempestade. Ela se forma quando o ar mais frio e denso avança próximo ao solo e empurra rapidamente o ar quente que estava sobre a região. Esse movimento funciona como uma espécie de onda de ar que se espalha horizontalmente pela superfície, o que explica por que as rajadas podem chegar de forma repentina e atingir várias cidades em sequência, mesmo em pontos onde a chuva ainda não começou ou ocorre com pouca intensidade.
Esse deslocamento pode formar uma linha extensa de ventos, capaz de percorrer dezenas ou até centenas de quilômetros, o que ajuda a explicar por que a ventania atingiu áreas do interior, da capital e do litoral paulista em um intervalo relativamente curto. É importante destacar que a "frente de rajada" não é um tornado. No tornado, o vento gira em torno de um eixo e atinge uma faixa geralmente mais estreita. Na "frente de rajada", os ventos se espalham de maneira mais horizontal e podem afetar uma área muito mais ampla. Também não é necessário que haja chuva forte exatamente no ponto atingido.
No caso desta quarta-feira (29), a ventania avançou do interior em direção ao litoral de São Paulo e depois alcançou áreas do Rio de Janeiro, com velocidades muito acima das rajadas normalmente registradas durante a passagem de uma frente fria. O principal fator foi o contraste acentuado entre o ar quente e seco que estava sobre o Sudeste e o ar frio e úmido que chegou com o sistema. Quanto maior a diferença entre as duas massas de ar, mais intensa pode ser a reação da atmosfera. A velocidade também foi favorecida pelo deslocamento rápido do sistema. Em poucas horas, a frente fria saiu do Sul, atravessou áreas do Paraná e de São Paulo e chegou ao litoral do Sudeste. Embora houvesse previsão de ventos fortes, a intensidade observada superou 120 km/h em alguns municípios paulistas.