Franco Baresi, ex-zagueiro italiano, morre aos 66 anos

Franco Baresi, ídolo eterno do Milan e campeão mundial com a Itália, faleceu aos 66 anos deixando um legado histórico no futebol
A morte de Franco Baresi, aos 66 anos, na última sexta-feira (31), encerra a trajetória de um dos maiores zagueiros da história do futebol mundial. Ídolo eterno do Milan e campeão do mundo com a seleção italiana, o ex-defensor construiu uma carreira repleta de títulos e liderança, tornando-se símbolo do clube rossonero, onde ocupava, desde 2020, o cargo de vice-presidente honorário. Em nota oficial divulgada nas redes sociais, o Milan prestou tributo ao seu eterno capitão: — "A história completa do Milan está de luto pela morte de Franco Baresi. Seu exemplo e sua integridade ficarão gravados para sempre no DNA do Clube, assim como sua icônica camisa de número 6" — publicou a equipe.
Nascido na Lombardia, no norte da Itália, em 1960, Franco Baresi foi revelado pelas categorias de base do próprio Milan. Sua estreia profissional ocorreu em 1978, aos 17 anos, em partida contra o Hellas Verona. Com postura elegante e refinamento técnico indiscutível, assumiu a braçadeira de capitão com apenas 22 anos, tornando-se o rosto dos anos de ouro do clube nas décadas de 1980 e 1990. Pelo clube da capital da moda, o camisa 6 conquistou três taças da Liga dos Campeões da Europa e seis títulos do Campeonato Italiano.
Ao longo da carreira, formou uma célebre linha defensiva ao lado de Paolo Maldini, Mauro Tassotti e Alessandro Costacurta, quarteto que marcou época no futebol europeu pela eficiência e sincronismo. Franco Baresi pendurou as chuteiras em 1997, após registrar 719 partidas oficiais pelo Milan, marca que o consolida como o segundo atleta com mais jogos na história do clube. O ápice do reconhecimento individual veio em 1989, quando conquistou a segunda colocação no prêmio da Bola de Ouro, atrás apenas do companheiro de equipe Marco van Basten.
Com a seleção italiana, Franco Baresi acumulou 81 atuações. Ele integrou o elenco campeão da Copa do Mundo de 1982, na Espanha, onde a Azzurra venceu a Alemanha Ocidental por 3 a 1 no Estádio Santiago Bernabéu. Na ocasião, o técnico Enzo Bearzot optou pela experiência do trio da Juventus, formado por Antonio Cabrini, Claudio Gentile e Gaetano Scirea, deixando o jovem Baresi no banco como espectador privilegiado do tricampeonato. Após um período afastado da seleção por divergências técnicas na Copa de 1986, o zagueiro retornou como pilar nos Mundiais de 1990 e 1994. A sorte nas decisões por pênaltis, porém, lhe foi esquiva. Em 1990, a Itália caiu na semifinal; em 1994, nos Estados Unidos, a equipe amargou o vice-campeonato diante do Brasil após o erro decisivo de Roberto Baggio na disputa das penalidades.
A trajetória de Franco Baresi também ficou marcada por embates épicos contra Diego Armando Maradona. No final dos anos 1980, enquanto o craque argentino brilhava no Napoli, o Milan se reestruturava sob o comando do técnico Arrigo Sacchi. A equipe rossonera revolucionou o esporte ao implementar a marcação por zona, a pressão alta e a linha de impedimento, pilares táticos adotados até hoje. O confronto entre os dois ídolos sintetizava a disputa entre o brilhantismo individual do argentino e o rigor coletivo da estrutura milanista. Um dos capítulos mais marcantes desse duelo ocorreu na temporada 1987/1988: após o título histórico do Napoli no ano anterior, o Milan visitou os rivais no Estádio San Paolo e venceu por 3 a 2 de virada, resultado crucial para a conquista do Scudetto por parte do time de Baresi. Aos 66 anos, a referência máxima do setor defensivo se despede da comunidade esportiva. Fica o legado de títulos, liderança e uma visão tática que transformou para sempre a forma de se defender no futebol.