Após críticas da França, EUA abandonam reunião do Conselho de Segurança da ONU

Foto: ONU/Eskinder Debebe
Delegação americana abandona reunião após críticas francesas que comparavam os EUA à Coreia do Norte em votação sobre direitos humanos
A delegação americana deixou uma reunião do Conselho de Segurança da ONU nesta segunda-feira (27) em protesto contra declarações da França que comparavam os Estados Unidos à Coreia do Norte e a outros Estados autoritários. O episódio ocorreu no momento em que o embaixador francês começou a discursar, em uma sessão focada na guerra na Ucrânia. Dan Negrea, representante dos Estados Unidos na Assembleia Geral e alto funcionário da delegação americana, criticou duramente a postura de Paris. "Há um membro deste conselho que finge indignação moral e pretende dar lições ao restante de nós sobre todos os assuntos", disse Negrea. "Por isso deixamos a sala durante a intervenção da França", completou.
A saída de uma delegação durante uma sessão do Conselho de Segurança — o principal órgão decisório da ONU, do qual tanto a França quanto os Estados Unidos são membros permanentes com poder de veto — é considerada algo extremamente raro no cenário diplomático internacional. A tensão entre os dois países teve origem na sexta-feira anterior, quando os Estados Unidos foram um dos dez países que votaram na Assembleia Geral contra a prorrogação do mandato de Volker Türk como alto comissário da ONU para os Direitos Humanos.
O voto americano alinhou Washington a países como Coreia do Norte, Rússia e Nicarágua. A missão da França junto às Nações Unidas em Genebra reagiu com uma publicação em inglês após a votação. "Os Estados Unidos costumavam ser um farol dos direitos humanos. Já não são mais", escreveu a missão francesa. "Hoje, estão ao lado da Coreia do Norte, da Nicarágua, do Mali e da Rússia, isolados. E o mundo já não os escuta", acrescentou. Negrea respondeu diretamente às críticas da França durante a reunião desta segunda-feira, rejeitando o que classificou como uma "encenação enganosa" por parte de Paris. "Lembro que os Estados Unidos continuam sendo o farol da liberdade para o mundo. Como tal, não lhes concederemos o privilégio de ouvir sua verborragia politizada", afirmou o representante americano. O episódio evidencia o crescente distanciamento entre dois dos principais aliados históricos do Ocidente no que diz respeito à agenda de direitos humanos no âmbito das Nações Unidas.