Após crise com Michelle, Flávio Bolsonaro viaja ao CE para alinhar palanques

Michelle e Flávio Bolsonaro - Foto: Reprodução
Senador visita o Ceará para alinhar apoios e pré-candidaturas, após crise com Michelle Bolsonaro pela aliança do PL com Ciro Gomes
O senador Flávio Bolsonaro (PL) viaja ao Ceará nesta sexta-feira (10) com o objetivo de alinhar acordos e apoios locais para as candidaturas das eleições de outubro. A visita ocorre em meio à crise com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL), gerada justamente pela aliança do partido com Ciro Gomes (PSDB) no estado.
No Ceará, Flávio Bolsonaro participará do lançamento da pré-candidatura ao Senado de Alcides Fernandes, filho do deputado federal André Fernandes. A escolha de Alcides foi feita em detrimento da deputada federal Priscila Costa (PL), nome apoiado por Michelle para a vaga.
O evento está previsto para o período da noite e contará com a presença do próprio André Fernandes, um dos principais articuladores da aliança entre o PL e Ciro Gomes.
A aliança no Ceará
Ao longo de 2025, Ciro Gomes e lideranças do PL passaram a negociar uma chapa conjunta para disputar o governo estadual contra Elmano de Freitas (PT), atual governador.
Uma pesquisa Quaest divulgada em abril apontou Ciro Gomes na liderança das intenções de voto, com 41%, seguido de Elmano de Freitas com 32%, e Eduardo Girão (Novo) em terceiro lugar, com 4%.
Em maio de 2026, o PL Ceará, liderado por André Fernandes, oficializou o apoio a Ciro Gomes.
No lançamento da pré-candidatura, Ciro anunciou dois nomes para o Senado em sua chapa: o ex-deputado federal Capitão Wagner (União) e o próprio Alcides Fernandes, pai de André.
A aliança previa ainda o apoio de Ciro à candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro, com palanque garantido no estado.
Michelle, por sua vez, defende no Ceará a candidatura do senador Eduardo Girão (Novo) ao Governo do Estado, argumentando que ele representa localmente os valores defendidos pelo ex-presidente Jair Bolsonaro. Na avaliação dela, um eventual apoio do PL a Ciro só deveria ocorrer em um segundo turno.
A crise com Michelle Bolsonaro
A tensão entre Flávio Bolsonaro e Michelle veio a público após a ex-primeira-dama criticar, em dezembro do ano passado, a aliança do PL com Ciro Gomes durante um evento em Fortaleza. Ela argumentou que Ciro havia sido um crítico ferrenho do ex-presidente Jair Bolsonaro e de seus filhos enquanto ele estava no poder.
Em vídeos publicados no dia 24 de junho, Michelle relatou que Flávio Bolsonaro a telefonou de forma agressiva após suas declarações públicas.
"Voltando ao Flávio. Telefonei para ele, tentei algumas vezes, mas ele não atendeu. Algumas horas depois da postagem, ele retornou a ligação. Mas, sinceramente, para falar o que ele me falou, seria melhor se ele não tivesse ligado. Ele foi muito ríspido, me desrespeitou e me maltratou o telefone. E eu não tinha feito nada contra ele", afirmou a ex-primeira-dama.
Michelle também detalhou o conteúdo da conversa com o senador.
"Ele disse que seria melhor eu ficar fora das decisões do partido. Disse que eu havia chegado ontem e não entendia nada de política. Diante dessa humilhação, eu disse a ele que estava tudo bem. Entendi que ele não queria o meu apoio ou que este era insignificante. E então eu me recolhi", narrou.
Após a repercussão dos vídeos, Flávio Bolsonaro publicou em suas redes sociais um pedido de desculpas a Michelle, afirmando que não teve intenção de ofendê-la e que está de "coração aberto" para encontrá-la.
A crise também levou Michelle a decidir deixar a presidência do PL Mulher.
A viagem de Flávio Bolsonaro ao Ceará nesta sexta-feira representa um passo concreto na consolidação dos acordos políticos no estado, mesmo diante do impasse com Michelle e das divergências internas sobre os rumos da aliança com Ciro Gomes.