Flávio Bolsonaro recorre a Fachin contra proibição de visitar o pai

Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
Senador classifica como "desproporcional" a proibição de visitar o pai por 90 dias e acusa ministro de interferência eleitoral
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, anunciou nesta segunda-feira (13) que recorrerá ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, para tentar reverter a decisão do ministro Alexandre de Moraes que o proíbe de visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro por 90 dias. Durante transmissão ao vivo nas redes sociais, Flávio Bolsonaro classificou a medida como "desproporcional" e afirmou que ela representa uma tentativa de interferência no processo eleitoral.
Segundo o senador, o período de 90 dias coincide com o primeiro turno das eleições de 2026, marcado para 4 de outubro, o que, na avaliação dele, evidencia um objetivo político por trás da decisão. "Alguém acha que isso é coincidência? Qual o critério para estabelecer 90 dias? O que Alexandre de Moraes quer é deixar meu pai incomunicável durante a campanha eleitoral", afirmou Flávio Bolsonaro durante a live. A restrição foi determinada por Moraes após Flávio Bolsonaro divulgar nas redes sociais uma carta escrita por Jair Bolsonaro.
Para o ministro, o senador utilizou a visita ao ex-presidente para obter um documento que acabou sendo veiculado publicamente, contrariando a medida cautelar que proíbe Bolsonaro de utilizar redes sociais de forma direta ou indireta. Na transmissão, Flávio Bolsonaro sustentou que essa foi a quinta carta escrita pelo pai e divulgada publicamente, argumentando que episódios anteriores não geraram qualquer reação do Supremo. "O que eu percebo é que, mais uma vez, Alexandre de Moraes procura uma desculpa para tirar meu pai da prisão domiciliar", declarou o senador.
Flávio Bolsonaro também afirmou que, além de filho, integra formalmente a defesa de Jair Bolsonaro no processo e que, por isso, a proibição de visitas atinge suas prerrogativas como advogado. "Já conversei com a OAB Federal para que ela se manifeste em defesa das minhas prerrogativas. Não podem impedir que um advogado converse com seu cliente", disse.
Ao longo da live, Flávio Bolsonaro comparou o tratamento dado ao ex-presidente ao que recebeu o presidente Luiz Inácio Lula da Silva quando esteve preso, afirmando que o petista pôde conceder entrevistas, publicar cartas e receber visitas de aliados durante o período em que cumpria pena. O senador afirmou que a defesa buscará a revisão da decisão junto ao presidente do STF, Edson Fachin, e que também pretende acionar a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). A decisão de Alexandre de Moraes permanece em vigor até eventual análise de novo recurso.