Aliados criticam escolha de Flávio para vice em chapa presidencial

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Aliados do PL e do centrão criticam a articulação de Flávio Bolsonaro para lançar Daniella Marques como vice em sua chapa presidencial
A articulação de Flávio Bolsonaro (PL) para lançar Daniella Marques (Republicanos), ex-presidente da Caixa Econômica Federal, como vice em sua chapa presidencial é vista como um erro perigoso por aliados do PL e de partidos do centrão. Integrantes do partido afirmam que Flávio está isolado nessa ideia, tanto dentro quanto fora da legenda, sem o apoio sequer do presidente do PL, Valdemar Costa Neto. Um cacique partidário afirma que Daniella não tem estatura política para ocupar o cargo e que a iniciativa enfraquece o PL nas negociações com outras legendas.
Daniella se filiou ao Republicanos apenas em abril, não possui força ou alianças internas e, por isso, não é vista como alguém que representa o próprio partido. Tampouco teria capacidade de mobilizar correligionários para se engajarem na campanha e saírem às ruas em busca de votos. Para uma fonte ligada à família Bolsonaro, um dos problemas do discurso de Daniella está no fato de ela defender o liberalismo econômico sem considerar a realidade social do país. Como exemplo, a fonte cita a defesa de programas para empreendedorismo feminino como se as soluções dependessem apenas do governo federal, ignorando o papel do Congresso. Na semana passada, Daniella participou com Flávio Bolsonaro de uma transmissão ao vivo na qual os dois discutiram as bases do programa de governo para mulheres, incluindo propostas como um vale-creche e um aplicativo de inteligência artificial voltado para o público feminino.
Valdemar Costa Neto declarou a jornalistas que Daniella Marques não tem votos para ser vice na chapa de Flávio Bolsonaro e que é possível que essa vaga não esteja definida até a convenção do partido, marcada para o dia 25. A declaração é endossada por outros colegas do partido. Um deles afirma que faria mais sentido Flávio Bolsonaro escolher um deputado do Republicanos de São Paulo do que insistir na candidatura de Daniella.
O mesmo aliado relembra que, em 2022, o ex-presidente Jair Bolsonaro pressionou o PL para colocar o general Braga Netto, então recém-filiado à legenda, como vice em sua chapa. Juntos, perderam a eleição. Na época, a senadora Tereza Cristina (PP-MS) era cotada para o cargo, mas Jair Bolsonaro não abriu mão da indicação pessoal. "Em uma eleição tão apertada, Tereza Cristina poderia ter atraído votos e ter feito diferença no resultado", diz o colega de Flávio Bolsonaro. Agora, afirma a mesma fonte, Flávio Bolsonaro segue pelo mesmo caminho, mas sem ter o capital político do pai.