Flávio Bolsonaro tem audiência nos EUA hoje para discutir tarifas

Bruno Peres/Agência Brasil
Senador participa de audiência do USTR em Washington sobre possível tarifa de 25% sobre produtos brasileiros exportados aos EUA
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) participa nesta terça-feira (7), em Washington, de uma audiência pública promovida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) sobre a investigação comercial aberta contra o Brasil. O parlamentar integra o segundo dia de debates e terá cinco minutos para apresentar sua posição sobre a possível imposição de uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros.
De acordo com o cronograma do USTR, Flávio Bolsonaro será o primeiro expositor da sessão, prevista para começar às 10h no horário local (11h em Brasília). Em manifestação enviada previamente ao órgão norte-americano, o senador defende a suspensão da tarifa e afirma que uma solução negociada é o melhor caminho para resolver as divergências comerciais entre os dois países. A audiência reúne representantes do setor privado, associações empresariais e entidades dos Estados Unidos e do Brasil para discutir a investigação conduzida com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. O governo brasileiro optou por não enviar representantes, sob o argumento de que a sessão é voltada à participação de empresas e organizações da sociedade civil.
Representantes do setor produtivo brasileiro e o governo federal buscam reduzir os impactos da possível aplicação de um "tarifaço" de até 25% pelos Estados Unidos sobre exportações brasileiras. O foco do setor privado tem sido ampliar a lista de exceções às tarifas e reforçar argumentos de que a medida também prejudicará empresas e consumidores americanos. Essa estratégia já foi adotada no primeiro dia da audiência pública da investigação comercial.
Parte do empresariado defende ainda que uma eventual negociação inclua a ampliação do acesso de produtos americanos ao mercado brasileiro e o aprofundamento da cooperação em áreas estratégicas, como minerais críticos. Apesar disso, as tratativas entre Brasília e Washington seguem sem avanços concretos. A estimativa da Confederação Nacional da Indústria (CNI) aponta que mais de 4 mil produtos exportados pelo Brasil podem ser atingidos pelas novas tarifas, totalizando cerca de US$ 14,9 bilhões em vendas para os Estados Unidos. O governo brasileiro já respondeu às acusações e sinaliza disposição para discutir medidas adicionais, mas sem abrir mão de temas estratégicos para a soberania nacional, como o Pix. A expectativa, no entanto, é por um retorno formal do governo americano.