Para 58%, Flávio não tem força para reverter tarifas de Trump, diz Quaest

Divulgação/Flávio Bolsonaro
Pesquisa Genial/Quaest aponta que 58% dos brasileiros acreditam que Flávio Bolsonaro não tem força para reverter as tarifas de Trump
Para 58% dos brasileiros, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à presidência da República, não tem capacidade de convencer o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a reverter as tarifas impostas sobre produtos brasileiros. Os dados são da pesquisa Genial/Quaest, divulgada nesta quinta-feira (16/7), um dia após o governo norte-americano confirmar a aplicação de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros.
A Quaest ouviu presencialmente 2.004 pessoas com 16 anos ou mais entre os dias 10 e 13 de julho. Do total de entrevistados, 34% acreditam que Flávio Bolsonaro tem condições de convencer Trump a mudar de posição, enquanto 8% não souberam ou não responderam à pergunta. A pesquisa também revelou que 57% dos entrevistados desconheciam a viagem de Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos para tratar das tarifas impostas por Trump, ao passo que 43% afirmaram ter conhecimento do encontro. Trump recebeu Flávio Bolsonaro na Casa Branca durante a visita.
Quando questionados sobre a influência das tarifas norte-americanas na decisão de voto para a presidência do Brasil em 2026, 42% dos entrevistados responderam que a medida aumenta a intenção de votar no presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), enquanto 27% disseram que o tarifaço favorece Flávio Bolsonaro. Sobre a responsabilidade pelo tarifaço, 51% dos entrevistados concordam com a versão defendida por Lula, segundo a qual Flávio Bolsonaro teria pedido sanções contra o Brasil, enquanto 30% apoiam a narrativa de Flávio Bolsonaro, que acusa Lula de provocar Trump.
Em junho, esses números eram de 47% e 35%, respectivamente, indicando uma ampliação da vantagem da versão petista entre a população. O cenário das tarifas tem raízes em 2025, quando Trump vinculou as primeiras sobretaxas ao julgamento que condenou o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) por tentativa de golpe de Estado. Além disso, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro se mudou para os Estados Unidos, onde afirma atuar junto ao governo norte-americano contra a gestão Lula.
Em nota publicada nesta quinta-feira (16/7), o governo brasileiro afirmou que o "dia 15 de julho de 2026 passará para a história das relações entre Brasil e EUA como um marco lastimável", em razão da aplicação das tarifas de 25% sobre produtos brasileiros. Por meio de comunicado da Secretaria de Comunicação (Secom) da Presidência da República, o governo informou que "iniciará imediatamente os trâmites para acionar os instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade" contra os Estados Unidos.
A sobretaxa é resultado de investigação conduzida pelo Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, aberta após Trump anunciar, em julho de 2025, uma ofensiva comercial contra o Brasil. Esse trecho da legislação norte-americana permite ao país investigar práticas comerciais e aplicar sanções a outras nações. No caso brasileiro, os EUA citam o Pix, o tratamento dado às big techs, o desmatamento, as barreiras ao etanol norte-americano e até a Rua 25 de Março, em São Paulo. "O Brasil não reconhece a legitimidade de investigações sem amparo nas regras multilaterais de comércio. Apesar disso, nunca deixamos a mesa de negociação para defender os interesses nacionais", ressalta a nota da Secom.
O comunicado também lembra que, nas audiências públicas promovidas pelo USTR na semana passada, 63 das 78 intervenções feitas por representantes do setor privado brasileiro e norte-americano foram contrárias ao tarifaço. "Ao longo do último ano, o governo brasileiro atuou ininterruptamente junto ao USTR pelo encerramento das investigações baseadas na Seção 301, apresentando evidências que refutam cada uma das alegações sobre supostas práticas desleais de comércio adotadas pelo Brasil", afirma o texto.
A nota do governo atribui à família Bolsonaro parte da responsabilidade pela imposição das novas tarifas, com destaque para as ações de Eduardo Bolsonaro. "É triste constatar que o lamentável desfecho das investigações baseadas na Seção 301 faz parte do enredo construído com a ativa colaboração da família Bolsonaro. São falsos patriotas que arquitetaram e defenderam publicamente ações contra o nosso país, movidos por objetivos eleitoreiros", diz trecho do comunicado. O texto conclui: "Não se pode amar o Brasil apenas quando vencemos eleições. Proteger a nossa soberania é uma obrigação que está acima de todos os partidos e todas as tendências. O governo brasileiro não vacilará em seu dever de preservá-la".