Flávio Bolsonaro é alvo de ação do PT no TSE contra redes de perfis com IA

Fachada do TSE | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
PT aciona o TSE contra rede de perfis com IA que ataca Lula, citando Flávio Bolsonaro e outros parlamentares da direita
O Partido dos Trabalhadores (PT) acionou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), nesta quinta-feira (30/7), contra uma suposta rede de perfis nas redes sociais que utiliza inteligência artificial (IA) para atacar a legenda e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. De acordo com o partido, os conteúdos produzidos são disseminados em colaboração com congressistas da direita, entre eles o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Além de Flávio Bolsonaro, o comunicado do PT cita os deputados federais Gustavo Gayer (PL-GO), Mário Frias (PL-SP) e Gilvan Costa (PL-ES), além do pré-candidato ao governo do Rio de Janeiro André Marinho (Novo-RJ). O partido descreve o esquema como um "ecossistema coordenado e complexo", mapeado pelo jurídico da pré-campanha de Lula.
A representação foi protocolada no TSE pela Federação Brasil da Esperança, formada pelo PT em conjunto com o Partido Comunista do Brasil (PCdoB) e o Partido Verde (PV). O documento pede a remoção dos conteúdos citados no TikTok e no Instagram, a identificação dos proprietários dos perfis e a suspensão da monetização — ou seja, os pagamentos recebidos pelos perfis por meio de anúncios e visualizações. "Essa rede reúne ao menos 32 perfis, 1.464.245 seguidores compartilhados e 23.828 publicações — ou seja, se somados aos números das pessoas públicas representadas, as publicações chegam a mais de 10 milhões de seguidores", afirma o documento.
Em nota, o PT sustenta que a rede representa, além de um "ataque político", também um "modelo de negócio". O partido diz ter identificado escolas que ensinam usuários a produzir vídeos com inteligência artificial e a arrecadar com esses conteúdos, além de postagens "massivas" no TikTok com o objetivo de "manipular a opinião pública mediante a degradação da imagem de Lula e do PT". A representação cita o nome de Leonardo Rodrigues de Jesus, conhecido como "Léo Índio", como um dos principais integrantes da rede de perfis coordenados. Léo Índio é sobrinho do ex-presidente Jair Bolsonaro e primo de Flávio Bolsonaro.
Atualmente, ele vive foragido na Argentina, após ter sido condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por participação na invasão e depredação dos prédios dos Três Poderes em 8 de janeiro de 2023. Na peça, os partidos alegam que existe uma "clara coordenação" entre os perfis que disseminam conteúdos contrários a Lula. "Os conteúdos contra Lula e contra o PT, que se espalham na rede em velocidade brutal, são deepfakes, vídeos, desenhos, imagens estáticas, memes. A intenção é uma só: distorcer a percepção do eleitorado sobre a autenticidade e a espontaneidade do que se apresenta como reação popular ao pré-candidato Lula", afirma a federação.
O PT e a Federação Brasil da Esperança não foram os únicos a buscar a Justiça Eleitoral para tratar de supostas redes coordenadas de ataques. Na semana passada, em 20 de julho, o Partido Liberal (PL) pediu ao TSE a abertura de investigação contra uma suposta rede de perfis financiados anonimamente para atacar políticos de direita. Entre os alvos estariam Flávio Bolsonaro e os governadores Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) e Jorginho Mello (PL-SC). Na ocasião, a coordenadora do jurídico da pré-campanha de Flávio Bolsonaro, a advogada Maria Cláudia Bucchianeri, não forneceu detalhes sobre quem estaria coordenando ou colaborando com a suposta rede.
No entanto, ela afirmou que a equipe identificou perfis de pequeno porte que pagavam quantias de aproximadamente R$ 200 mil para impulsionar conteúdos contrários a Flávio Bolsonaro. Os pagamentos teriam sido realizados em reais, pesos colombianos e dólares. O cenário revela que tanto a esquerda quanto a direita recorrem ao TSE diante do avanço de supostas redes de desinformação nas redes sociais, com o uso de inteligência artificial como ferramenta central nas disputas políticas que antecedem as eleições.