Flávio adia escolha de candidato ao Senado no RJ por conta de operações da PF

EDILSON RODRIGUES/AGENCIA SENADO
Aliados de Flávio Bolsonaro recomendam adiar a definição da chapa ao Senado no Rio após operações da PF atingirem nomes cotados
A poucos dias do início das convenções partidárias, o senador e presidenciável Flávio Bolsonaro (PL-RJ) passou a ser aconselhado por aliados a adiar ao máximo a definição do candidato do partido ao Senado no Rio de Janeiro. A recomendação surgiu após uma sequência de operações da Polícia Federal que atingiu nomes cotados para compor a chapa no estado. O objetivo é reduzir o período de exposição do futuro indicado antes do registro oficial das candidaturas. A avaliação entre os aliados de Flávio Bolsonaro é que antecipar o anúncio criaria um risco político desnecessário. Em menos de dois meses, três nomes ligados à montagem da chapa foram atingidos por investigações da PF, transformando o Rio de Janeiro no principal símbolo de um impasse que afeta diretamente a organização da campanha presidencial.
O primeiro nome impactado foi o do ex-governador do Rio Cláudio Castro (PL), inicialmente escolhido por Flávio Bolsonaro para disputar uma das vagas ao Senado. Castro desistiu da candidatura após ser declarado inelegível pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e, posteriormente, tornou-se alvo de uma operação da PF que investigou suspeitas de fraude no setor de combustíveis e de outra que apura os aportes do RioPrevidência no Banco Master, de Daniel Vorcaro.
Na última semana, o ex-prefeito de Belford Roxo Márcio Canella (União Brasil), indicado pela federação União Brasil-PP para ocupar a outra vaga na chapa, foi preso em flagrante durante a Operação Unha e Carne, após agentes encontrarem um fuzil calibre 5,56 em seu carro durante o cumprimento de mandados.
O terceiro caso envolve o líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), que figurava entre os favoritos para substituir Castro até perder força após o avanço da investigação sobre um suposto esquema de desvio de cotas parlamentares. Investigadores passaram a apurar a origem dos R$ 468 mil apreendidos em dinheiro vivo em um imóvel ligado ao deputado, além da suspeita de tentativa de dar aparência de legalidade aos recursos. A cautela também alcança o deputado Carlos Jordy (PL-RJ), um dos principais cotados para disputar a vaga.
Embora não tenha sido alvo dos desdobramentos mais recentes da investigação sobre cotas parlamentares, Jordy foi atingido por uma operação da Polícia Federal deflagrada em dezembro do ano passado. Atualmente, ele disputa a indicação com o senador Carlos Portinho (PL-RJ), que, segundo interlocutores da campanha de Flávio Bolsonaro, aparece como favorito. Nos bastidores, integrantes do partido afirmam que anunciar o nome agora significaria submetê-lo a semanas de desgaste antes mesmo do início oficial da campanha. A estratégia, no entanto, está longe de ser consenso dentro do PL.
Dirigentes estaduais, parlamentares e pré-candidatos cobram uma definição justamente quando o calendário eleitoral entra na reta decisiva, e a demora vem aumentando a insatisfação interna. Flávio Bolsonaro pretendia anunciar o substituto de Cláudio Castro na última sexta-feira, mas voltou a adiar a decisão. Agora, interlocutores defendem que a escolha ocorra apenas durante a convenção nacional do PL, marcada para 25 de julho, ou até mesmo posteriormente. Pela legislação eleitoral, as convenções partidárias poderão ser realizadas entre 20 de julho e 5 de agosto, enquanto o prazo para registro das candidaturas termina em 15 de agosto. Na prática, mesmo realizando a convenção em 25 de julho, o PL ainda terá cerca de três semanas para concluir negociações e formalizar a chapa na Justiça Eleitoral.
Esse intervalo, na avaliação dos aliados de Flávio Bolsonaro, permite manter as negociações abertas sem comprometer os prazos legais. Reservadamente, porém, dirigentes do partido admitem que chegar à convenção sem um nome definido para uma das vagas ao Senado transmite uma imagem de indefinição justamente em um dos estados considerados estratégicos para a campanha presidencial. O desconforto não se limita ao Rio de Janeiro. Nas últimas semanas, dirigentes estaduais passaram a reclamar da demora para arbitrar disputas locais e fechar palanques considerados prioritários para a candidatura de Flávio Bolsonaro ao Planalto.
Parte da cúpula do partido avalia que decisões essenciais vêm sendo sucessivamente adiadas, dificultando a organização das campanhas às vésperas do início oficial da corrida eleitoral. Interlocutores da campanha reconhecem que parte dessa lentidão decorre da complexidade das negociações e da necessidade de acomodar interesses de diferentes partidos aliados. Também admitem que Jair Bolsonaro continua sendo consultado antes das decisões finais e que diversas definições foram colocadas em compasso de espera diante da expectativa pela lista de candidatos ao Senado e aos governos estaduais apoiados pelo ex-presidente.