Fenabrave registra alta de 16% nos emplacamentos no Brasil

Fenabrave divulga crescimento de 16% no emplacamento de veículos no primeiro semestre de 2026, puxado por autos e comerciais leves
O emplacamento de veículos novos no Brasil avançou 16,01% no primeiro semestre de 2026 em comparação ao mesmo período do ano anterior. Nos seis primeiros meses do ano, foram emplacados cerca de 2,7 milhões de unidades, incluindo automóveis, comerciais leves — picapes e furgões —, ônibus, caminhões, motos e implementos rodoviários como reboques e carrocerias. Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (2/7) pela Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave).
Em comunicado à imprensa, o presidente da entidade, Arcelio Junior, comemorou os resultados, mas sinalizou desafios. "O primeiro semestre mostra um setor em expansão, mas ainda condicionado pelo custo do crédito. Temos registrado bons indicadores como resultado de programas como Carro Sustentável e Move Brasil", afirmou. Dois programas governamentais são apontados pela Fenabrave como fatores relevantes para o desempenho do setor. O Carro Sustentável reduz as alíquotas de IPI dos carros mais leves e econômicos, movidos a energia limpa e que atendam a requisitos de reciclabilidade e segurança veicular.
Já o Move Brasil oferece linhas de crédito para categorias específicas, como taxistas e motoristas de aplicativo, além da compra de caminhões e ônibus fabricados no país, entre outros segmentos. A venda de automóveis e comerciais leves registrou o crescimento mais expressivo no acumulado do ano, com desempenho 20,11% maior no primeiro semestre e alta de 28,82% em junho, em comparação ao mesmo mês de 2025.
O diretor executivo da Fenabrave, Marcelo Franciulli, listou os fatores que explicam esse impulso. "Isso ocorre basicamente em função do aumento de renda, aliado a uma forte concorrência entre as marcas, a redução de preço, condições de financiamento, taxa zero e trade-in nos usados [utilização do veículo como parte do pagamento], o que impulsionou violentamente o setor de autos e leves", disse. No médio prazo, porém, Franciulli alertou para uma possível desaceleração. "Esse número não se sustenta ao longo do ano em função do crescimento menor do PIB e deve diminuir um pouco em função da inflação. Mas ainda é um crescimento forte no acumulado", prosseguiu. Em comparação a maio, houve redução de 1,34% nos emplacamentos da categoria.
O segmento de motos também registrou desempenho positivo entre janeiro e junho, com quase 1,2 milhão de unidades emplacadas, alta de 14,1% em relação ao primeiro semestre de 2025. No resultado mensal, houve uma leve queda de 1,79%, o que o presidente da Fenabrave, Arcelio Junior, não vê com preocupação. "Mesmo quando há acomodação no resultado mensal, os fundamentos do segmento permanecem sólidos. A motocicleta está ligada à mobilidade real da população e à dinâmica de renda de milhões de trabalhadores", analisou. No setor de caminhões, a Fenabrave registrou um avanço de 13,5% em junho de 2026 em relação ao mesmo mês de 2025. No acumulado do semestre, porém, o segmento experimentou uma retração de 9,39%, movimento que começou a ser revertido em junho, com crescimento de 14,87% em comparação a maio. Para Franciulli, isso indica que muitas das operações da nova etapa do Move Brasil, que estimula a renovação de frota, ainda não foram concluídas.