EUA e Irã intensificam bombardeios no Estreito de Ormuz

Foto: Wikimedia Commons
Dois petroleiros explodem no Estreito de Ormuz enquanto EUA e Irã intensificam ataques pelo nono dia consecutivo
As forças dos Estados Unidos atacaram o Irã pelo nono dia consecutivo nesta segunda-feira (20), intensificando as preocupações com a navegação no Estreito de Ormuz após o Irã afirmar que dois petroleiros explodiram e ficaram imobilizados na região. A escalada no confronto entre as duas potências aprofundou a disputa pelo controle da hidrovia estratégica, prejudicando o fornecimento de energia e alimentando temores de inflação global. A Guarda Revolucionária Islâmica informou, também nesta segunda-feira, ter atingido aeronaves dos Estados Unidos no aeroporto de Aqaba, na Jordânia, com mísseis balísticos. Instalações militares americanas no campo de Al-Adiri e na Base Aérea Ali Al Salem, no Kuwait, além de alvos na Síria, também foram atacados.
Sirenes de alerta soaram na manhã desta segunda-feira no Bahrein, segundo o Ministério do Interior do país, enquanto o Exército do Kuwait afirmou ter interceptado drones hostis durante um ataque iraniano. Em comunicado, o CENTCOM (Comando Central dos EUA) informou que iniciou uma "nova onda de ataques" com o objetivo de "reduzir" a capacidade do Irã de atacar embarcações comerciais nas rotas marítimas estratégicas do Estreito de Ormuz, sem fornecer detalhes adicionais. A agência de notícias semioficial iraniana Tasnim, citando seus próprios repórteres, informou que mísseis americanos atingiram várias cidades iranianas nas primeiras horas desta segunda-feira, com explosões ouvidas em Tabriz, Chabahar, Konarak, Bandar Mahshahr e Bandar Imam Khomeini.
O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, deixou claro que Washington não pretende recuar. "O Estreito de Ormuz é uma via marítima internacional, e eles continuam lançando ataques contra navios que transitam por essa hidrovia internacional", disse Rubio. "Enquanto o Irã insistir em controlar uma via marítima internacional, teremos de responder. Os Estados Unidos permanecem sempre abertos a uma solução diplomática", completou o porta-voz de Washington. A Guarda Revolucionária afirmou que dois petroleiros explodiram e ficaram imobilizados após tentarem atravessar o que descreveu como uma rota sul insegura pelo Estreito de Ormuz, alegando que as embarcações teriam sido incentivadas pelas forças armadas dos Estados Unidos a utilizar essa passagem. O comunicado não forneceu detalhes sobre os nomes dos navios, suas bandeiras, tripulações ou possíveis vítimas.
O órgão britânico United Kingdom Maritime Trade Operations (UKMTO) informou no fim de domingo ter recebido um relato de que uma embarcação estava em chamas próximo à costa de Omã, embora ainda não tivesse confirmado a causa. A Guarda Revolucionária alertou que a hidrovia continuará insegura enquanto persistir a "agressão" dos Estados Unidos na região, declarando que "essa passagem não será segura para o transporte de produtos petroquímicos, nem sequer de uma única gota de petróleo e gás". Os ataques também atingiram infraestrutura civil: o governo do Kuwait informou que uma usina de dessalinização foi atacada pelo segundo dia consecutivo, provocando um incêndio, no que classificou como um ataque direto contra infraestrutura civil essencial.
Os impactos no mercado de energia já são visíveis. Dados da LSEG mostraram que apenas quatro embarcações atravessaram o Estreito de Ormuz no domingo, contra oito no dia anterior. Pelo menos três navios-tanque de derivados de petróleo e um superpetroleiro entraram no estreito desde sexta-feira (17) para carregar petróleo. Os preços do petróleo subiram 2% nesta segunda-feira (20), ultrapassando 90 dólares por barril. As baixas americanas no conflito também continuam crescendo. As Forças Armadas dos EUA informaram no domingo que um militar morreu no sábado (18), no norte do Iraque, durante a detonação controlada de munição não detonada pertencente a um drone de ataque iraniano abatido.
Anteriormente, dois militares haviam morrido na Jordânia e um terceiro estava desaparecido em combate. No domingo, o Comando Central declarou que "restos mortais não identificados" foram encontrados no local do ataque ocorrido na sexta-feira (17) e que "o processo de identificação dos restos mortais está em andamento". Com os anúncios mais recentes, o número total de militares americanos mortos desde o início da guerra chegou a 17, enquanto mais de 420 outros ficaram feridos. O conflito teve início quando os Estados Unidos e Israel atacaram o Irã em 28 de fevereiro, com o objetivo de neutralizar os programas nuclear e de mísseis de Teerã e enfraquecer seus aliados regionais. Desde então, o confronto já matou milhares de pessoas, principalmente no Irã e no Líbano.