Espanha atribui mais de mil mortes em junho ao excesso de calor

Turistas se protegem do sol com guarda-chuvas enquanto visitam a praça de touros em Ronda, no sul da Espanha, durante a primeira onda de calor do verão - Foto: Jorge Guerrero / AFP
Junho foi o segundo mês mais quente já registrado na Espanha, com onda de calor expondo 73% da população a riscos à saúde
A Espanha registrou 1.029 mortes em excesso no mês de junho atribuídas ao calor, de acordo com dados oficiais divulgados nesta quarta-feira. Uma onda de calor de cinco dias, com temperaturas ultrapassando os 40 graus Celsius, fez de junho o segundo mês mais quente já registrado no país.
Os dados foram divulgados pelo sistema de monitoramento diário de mortalidade do Ministério da Saúde espanhol, o MoMo, que apontou que junho registrou o maior número de mortes atribuídas ao calor desde o mesmo mês de 2015.
Segundo a agência meteorológica AEMET, as temperaturas médias no mês passado ficaram 3,2 graus acima do normal, tornando junho o segundo mais quente já registrado na Espanha, atrás apenas de junho de 2025.
No auge da onda de calor, em 23 de junho, cerca de 35,7 milhões de pessoas — aproximadamente 73% da população do país — ficaram expostas a riscos à saúde relacionados ao calor, sendo que 38% delas enfrentaram risco elevado.
Desde 1975, ocorreram 12 ondas de calor no mês de junho na Espanha, sendo que metade delas aconteceu na última década. Outro dado alarmante: os 13 meses de junho mais quentes desde o início dos registros, em 1961, ocorreram todos no Século 21.
Para o porta-voz da AEMET, Ruben del Campo, esses números são reveladores. "Isso é uma evidência de que as ondas de calor surgem no início do verão com maior frequência do que antes", afirmou.
Entre 1º e 30 de junho, foram quebrados 165 recordes de temperatura máxima em estações de medição locais — 145 deles mensais e 20 históricos. Além disso, 225 recordes de temperatura mínima mais alta também foram superados, sendo 180 mensais e 45 históricos, segundo a AEMET.
A agência meteorológica destacou ainda que a primeira onda de calor do verão foi excepcional no norte do país "não apenas por causa de sua intensidade, mas também por sua duração e persistência".
Os dados reforçam a tendência de agravamento das condições climáticas na Espanha, com ondas de calor cada vez mais frequentes e intensas no início da estação de verão.