Espanha bicampeã leva multidão às ruas de Madri

Festa em Madrid
Torcedores tomaram a Plaza de Colón e a Fuente de Cibeles para celebrar o segundo título mundial da Espanha, conquistado sobre a Argentina
Não é à toa que a expressão "parece final de Copa do Mundo" é usada para descrever momentos de tensão coletiva e paixão compartilhada. No domingo (19), na Plaza de Colón, no centro de Madri, essa sensação se materializou diante de milhares de torcedores que foram às ruas celebrar a conquista do bicampeonato mundial pela Espanha, após uma vitória sobre a Argentina na decisão do torneio. O calor intenso da tarde madrilenha não foi suficiente para afastar o público. Para enfrentar as altas temperaturas, os torcedores recorreram a água para beber e borrifar no corpo, leques tradicionais espanhóis, chapéus e muito entusiasmo. Antes do apito inicial, o clima era de festa pura. Uma charanga vinda especialmente de Toledo para acompanhar a final na capital embalava a multidão, dando um toque ainda mais espanhol ao ambiente. Os palpites apontavam quase todos na mesma direção: Espanha campeã.
O placar esperado variava, mas a confiança era geral. Enzo Reigada, de 10 anos, que viajou das Astúrias para Madri com parte da família, não deixou margem para dúvidas. "Nesta Copa do Mundo, somos os favoritos e temos que ganhar", disse o menino, que apostava em um placar de 4 a 0. A tia de Enzo, Reme Nieves, também estava confiante, embora um pouco mais cautelosa. No intervalo, com o placar ainda zerado, apostava em uma vitória por 2 a 0. Mesmo assim, garantia que a viagem já tinha valido a pena. "O clima está muito bom, muito bom. Viemos hoje de manhã para assistir à final aqui em Madri. Somos do norte, das Astúrias. Está tudo bem, muito bem", contou.
Com duas bandeirolas da Espanha na cabeça, uma bandeira envolvendo o corpo e o rosto pintado com listras vermelhas e amarelas, Laura Pérez não deixava nenhuma dúvida sobre sua empolgação diante da possibilidade de ver a Espanha se tornar bicampeã mundial. Ela fez questão de dizer que não escolheria nenhum outro lugar para acompanhar a decisão. "A Espanha me encanta. Acho que sempre houve muita energia e um clima muito bom. E eu nunca iria embora", afirmou. Laura e os milhares de torcedores reunidos na Plaza de Colón tiveram de enfrentar momentos de intensa tensão. Gol anulado de um lado, quase gol do outro. Os braços subiam, as mãos iam à cabeça e a multidão suspirava em uma desolação coletiva. Depois, ao som do grito de "sí, se puede" ("sim, é possível"), a esperança voltava a se espalhar pela praça. No fim do tempo regulamentar, o argentino Enzo Fernández foi expulso. A partida seguiu para a prorrogação, e a explosão veio com o gol de Ferran Torres logo no primeiro minuto da segunda etapa do tempo extra. A superioridade da Espanha ficou evidente nas estatísticas: foram 20 finalizações, 12 delas na direção do gol, contra apenas duas da Argentina, que não acertou a meta espanhola nenhuma vez.
Mesmo assim, nos últimos instantes, a seleção argentina quase conseguiu empatar, provocando um susto final antes do alívio. A catarse definitiva veio com o apito final. A Roja, como é carinhosamente apelidada a seleção espanhola, sagrou-se campeã mundial de 2026, conquistando seu segundo título com a seleção masculina, após a conquista de 2010. A festa tomou as ruas do centro de Madri, com torcedores caminhando em direção à emblemática Fuente de Cibeles, palco tradicional das grandes comemorações esportivas da cidade.
Alba Carbonell, que viveu a celebração nas ruas, quer estar presente também na recepção oficial aos campeões. Para ela, a conquista foi uma experiência única e uma espécie de segunda chance. "Foi muito emocionante assistir ao jogo em Madri, vendo as ruas cheias de pessoas torcendo pela mesma coisa ao mesmo tempo, sentindo essa alegria. Eu nem consigo explicar, porque nunca tinha visto as ruas de Madri assim", contou. Alba era pequena quando a Espanha conquistou o primeiro título, em 2010, e guarda poucas lembranças daquela celebração. "Para mim, foi uma segunda oportunidade de reviver isso de forma mais intensa. Foi muito lindo. Estou até querendo ir para a comemoração que vai ter em Madri com os jogadores, vai ter até show. Estou muito, muito feliz." O brasileiro Luis Iglesias, que também tem nacionalidade espanhola, conhece bem essa sensação. Ele ainda era criança quando o Brasil conquistou sua última Copa do Mundo, em 2002, e agora pôde viver de perto a festa de um título mundial. "Está sendo uma loucura e uma emoção gigantesca, como se fosse o Brasil ganhando de novo. Eu tinha só 4 anos quando o Brasil ganhou a última Copa, em 2002. Nem lembro, não tenho nenhuma memória do que foi aquela festa. Hoje estou podendo ter esse gostinho do que é ganhar uma Copa do Mundo", afirmou. Após as comemorações na capital espanhola, Luis não escondeu o sentimento de pertencimento: "Estou me sentindo mais espanhol do que nunca por poder participar da festa aqui em Madri".