Energia eólica coloca Brasil no top 5 mundial; 93% no Nordeste

Foto: Agência Brasil/Reprodução
Com 1.132 usinas e 34,6 GW instalados, a energia eólica do Brasil concentra 93% da capacidade no Nordeste e sobe ao 5º lugar no ranking global.
A energia eólica se consolidou como uma das maiores fontes de eletricidade do Brasil, com a maior parte da capacidade concentrada no Nordeste. Segundo levantamento do BNB de dezembro de 2025, o país operava 1.132 usinas eólicas, totalizando 34,6 gigawatts de potência instalada, sem considerar as usinas em fase de teste. Esse volume coloca o Brasil entre as maiores capacidades eólicas do planeta. De acordo com a Abeeólica, o Brasil subiu uma posição e passou a ocupar o quinto lugar no ranking mundial de capacidade instalada acumulada de energia eólica onshore. Apenas quatro países no mundo superam o Brasil em geração de energia a partir do vento em terra firme. A concentração regional é expressiva.
O Nordeste sediava 1.026 das usinas eólicas em operação no país, somando 32,1 gigawatts, o equivalente a 93,0% de toda a potência instalada do Brasil. Praticamente toda a energia eólica brasileira tem origem nessa região. Dentro do Nordeste, dois estados se destacam. A Bahia e o Rio Grande do Norte respondem, em conjunto, por 64% da potência eólica instalada no país. Dois estados concentram quase dois terços de toda a capacidade nacional, com o sertão e o litoral dessas unidades federativas transformados em corredores de torres. Essa concentração tem explicação geográfica.
O Nordeste apresenta ventos fortes, constantes e com pouca variação de direção ao longo do ano, condição rara no mundo. Essa característica faz com que a mesma turbina gere muito mais energia ali do que na maioria dos países, o que atraiu parques eólicos para a região em larga escala. Além disso, os ventos nordestinos sopram com mais intensidade justamente no período seco, quando os reservatórios das hidrelétricas estão mais baixos. Isso faz da energia eólica um complemento natural da geração hídrica brasileira, equilibrando a oferta de eletricidade ao longo do ano.
O custo também contribuiu para o crescimento acelerado do setor. A turbina eólica não consome combustível, e o custo de geração cai a cada avanço tecnológico. Isso tornou a energia eólica uma das fontes mais baratas para novos projetos e explica a corrida de investimentos que resultou na instalação de mais de mil usinas no país. A ascensão da energia eólica na matriz brasileira foi veloz. A fonte saiu de uma participação praticamente inexistente para uma das principais em pouco mais de uma década, num ritmo de instalação de parques que colocou o Brasil entre os cinco maiores do mundo nessa tecnologia. Essa expansão também transformou a economia de muitos municípios nordestinos.
O aluguel das terras onde ficam as torres se tornou renda fixa para o produtor rural, e a instalação e manutenção dos parques criaram empregos técnicos em cidades pequenas que antes dependiam quase exclusivamente da agricultura de subsistência. A energia eólica também alterou o mapa da geração elétrica no Brasil. Antes concentrada perto dos grandes rios do Sudeste e do Sul, a produção de eletricidade ganhou um novo polo no Nordeste, reduzindo a dependência de uma única região e tornando o sistema elétrico nacional mais equilibrado. Do ponto de vista ambiental, cada parque instalado representa energia produzida sem queima de combustível e sem emissão de poluentes. Isso reduz a necessidade de acionar termelétricas nos períodos de seca e contribui para conter o custo da conta de luz para o consumidor brasileiro. Com 1.132 usinas em operação, 34,6 gigawatts de potência instalada, 93% da capacidade concentrada no Nordeste e o quinto lugar no ranking mundial, a energia eólica do Brasil se consolidou como peça central da matriz elétrica nacional, apoiada em vento farto e custo competitivo.