França, Itália e Espanha sofrem com pior temporada de queimadas

Área queimada | Incêndio de grande proporções - Imagem: LEANDRO FERREIRA/ESTADÃO CONTEÚDO
Dados do sistema Effis revelam que 2022 é o segundo pior ano em área queimada na UE, com milhares de deslocados no sul da Europa
Incêndios florestais violentos, alimentados por ventos fortes e altas temperaturas, devastam diversas regiões do sul da Europa. Na França, milhares de pessoas foram deslocadas de uma área turística nesta quinta-feira (23), enquanto Espanha e Itália também enfrentam um dos piores anos em termos de queimadas.
Segundo dados de satélite do sistema Effis analisados pela AFP, este ano é o segundo pior em área queimada por incêndios florestais na União Europeia neste período desde que os registros tiveram início, há 20 anos.
Incêndios na França
No sul da França, os bombeiros combatem dois grandes focos de incêndio. Um deles, localizado em Le Porge, próximo à cidade de Bordeaux, no sudoeste do país, já havia queimado 2.400 hectares até esta quinta-feira, de acordo com a última estimativa dos bombeiros. Até o momento, não há relatos de vítimas ou casas destruídas, mas a situação permanece "crítica".
Segundo diversas fontes consultadas pela AFP, o incêndio provavelmente teve início durante trabalhos de limpeza de vegetação em uma estrada florestal. Cerca de 12.000 pessoas, incluindo turistas e centenas de moradores de cidades próximas à floresta, foram obrigadas a deixar a área, segundo as autoridades.
O segundo incêndio, que começou na terça-feira ao meio-dia em um campo e se espalhou pelo departamento de Var, no sudeste, devastou quase 2.500 hectares e "permanece estável", segundo o prefeito Simon Fabre, que autorizou o retorno dos 400 deslocados para suas casas na manhã desta quinta-feira.
O ministro do Interior francês, Laurent Nuñez, informou que mais de 12.500 incêndios foram registrados desde o início do ano, com 44.000 hectares já queimados. Na França, os incêndios florestais nunca consumiram tanta superfície nesta época do ano.
Crise climática agrava situação
As florestas queimam com mais facilidade porque a vegetação e os solos europeus sofrem há meses com uma seca agravada pelas ondas de calor excepcionais que atingiram o continente em junho e julho, causando maior evaporação da água.
Climatologistas do grupo World Weather Attribution, em estudo publicado nesta quinta-feira, concluíram que são as mudanças climáticas, causadas principalmente pela queima contínua de petróleo, carvão e gás, que agravam a seca atual.
Os incêndios já causaram a morte de três bombeiros: dois perto do aeroporto de Bordeaux e um terceiro que combatia as chamas no sul da Itália.
Itália e Espanha também sofrem
Na Itália, dezenas de incêndios florestais e de vegetação devastam a Sicília, conforme anunciou o ministro do Interior, Matteo Piantedosi. Cem moradores, assim como 22 pacientes de uma clínica no centro da ilha, onde as temperaturas ultrapassaram os 40°C nos últimos dias, foram evacuados na quarta-feira, segundo os bombeiros. Mais de 160 incêndios também foram relatados nas últimas 24 horas na Calábria, região vizinha.
Na Espanha, a maioria dos moradores evacuados na noite de quarta-feira, após um incêndio ter começado cerca de 70 quilômetros a sudoeste do centro de Madri, pôde retornar para suas casas nesta quinta-feira, segundo os serviços de emergência. Diversas estradas, no entanto, permaneciam fechadas na manhã desta quinta-feira, informaram os socorristas.
O sistema Effis, que monitora por satélite as queimadas na Europa, confirma que a situação atual é uma das mais graves já registradas na região, com Espanha e Itália também enfrentando um de seus piores anos em termos de incêndios florestais.