Advogado deixa defesa de suspeito de matar capitã Michele Leão

Foto: Reprodução
Gustavo Nepomuceno deixou a defesa do sargento Eduardo Abner, preso por suspeita de matar a capitã Michele Leão Azevedo, sem revelar o motivo
O advogado do sargento Eduardo Abner Pereira de Oliveira anunciou que deixou a defesa do militar, preso desde segunda-feira sob suspeita de matar a própria esposa, a capitã da Polícia Militar de Minas Gerais Michele Leão Azevedo. A saída foi comunicada sem que o motivo fosse revelado, com o profissional alegando apenas "ética da advocacia". O advogado Gustavo Nepomuceno, que representou Eduardo Abner nos dias iniciais do caso, havia declarado anteriormente que não se manifestaria sobre o mérito da investigação. O processo corre em sigilo de Justiça, e o nome do novo advogado do sargento não foi divulgado.
O Tribunal de Justiça de Minas Gerais foi procurado para comentar o assunto, mas ainda não havia retornado até o fechamento desta reportagem. Eduardo Abner foi preso em flagrante e, posteriormente, a prisão foi convertida em preventiva pela Justiça. A decisão foi fundamentada na necessidade de garantir a "ordem pública".
A capitã Michele Leão Azevedo foi levada ao Hospital Odilon Behrens pelo marido, o sargento Eduardo Abner, na noite de segunda-feira. A morte da mulher foi constatada pelas equipes médicas do hospital, que acionaram imediatamente a polícia. A primeira versão apresentada por Eduardo Abner à equipe médica foi de que a companheira havia caído de uma escada. No entanto, os médicos identificaram sinais de violência pelo corpo da vítima e comunicaram o caso às autoridades, que prenderam o suspeito ainda dentro da unidade hospitalar. Em depoimento, o sargento alegou que a companheira havia recusado atendimento médico logo após a queda. Segundo ele, os dois dormiram e, horas depois, ele percebeu que Michele não respondia a estímulos, o que o teria levado a conduzi-la ao hospital.
Médicos, no entanto, relataram à polícia sinais de que a vítima havia morrido entre quatro e seis horas antes de ser levada ao Odilon Behrens. Um vídeo obtido pela polícia mostra Eduardo Abner carregando o corpo da vítima pelo prédio onde o casal residia e colocando-o no carro estacionado na garagem. O sargento foi preso em flagrante pela "pluralidade de lesões no corpo da vítima", conforme informou a Polícia Civil. Entre as lesões identificadas estavam traumatismo craniano, ferimentos nas pernas, marcas compatíveis com chicotadas e uma "lesão muito contundente na face da vítima".
Eduardo Abner também alegou ter tido relação sexual consensual com prática de agressões físicas, descrevendo esse comportamento como habitual entre o casal. Em seu relato, afirmou que ambos haviam participado, momentos antes, de uma confraternização com consumo de bebidas alcoólicas e ecstasy. Ainda no hospital, o sargento descartou uma cartela com 18 comprimidos de ecstasy em uma lixeira. O descarte foi flagrado por um tenente acionado para acompanhar a ocorrência, a quem o suspeito havia pedido permissão para ir ao banheiro. A defesa de Eduardo Abner, enquanto ainda representada por Gustavo Nepomuceno, havia declarado em nota que era "imprescindível aguardar a conclusão das investigações e dos laudos periciais", argumentando que se deve evitar "qualquer julgamento precipitado" e que todas as circunstâncias seriam devidamente esclarecidas pelas autoridades competentes.
Denúncias de violência contra a mulher podem ser feitas pelo telefone 180, da Central de Atendimento à Mulher, que funciona 24 horas por dia, inclusive no exterior, com ligação gratuita. O serviço oferece orientação especializada e encaminha vítimas para serviços de proteção e atendimento psicológico. Também é possível entrar em contato pelo WhatsApp (61) 99656-5008, pelo Disque 100, pelo aplicativo Direitos Humanos Brasil ou pela página da Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos (ONDH). Vítimas em situação de risco podem solicitar medidas protetivas de urgência, previstas na Lei Maria da Penha.