Governo descarta ampliar subsídio da gasolina e adia decisão sobre cortes

O novo ministro da Fazenda, Dario Durigan - Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Ministro Durigan aguarda desdobramentos da guerra no Oriente Médio antes de decidir sobre retirada do subsídio da gasolina
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, descartou nesta quarta-feira (9/7) um novo aumento no subsídio sobre a gasolina diante do agravamento do conflito entre Estados Unidos e Irã, com o fim do cessar-fogo no Oriente Médio. Ao mesmo tempo, o ministro não descartou a possibilidade de reduzir a subvenção nos próximos dias, deixando a decisão para a semana seguinte.
A crise gerada pelo conflito provocou uma alta de mais de 6% no valor do petróleo no mercado internacional desde terça-feira (8/7), impactando diretamente os preços dos combustíveis. A gasolina, que apresentava sinais de estabilidade até a semana passada, voltou a dar indícios de alta, colocando a equipe econômica do governo em estado de alerta.
Com o novo cenário, Durigan recuou da intenção de retirar parcial ou totalmente os subsídios e condicionou qualquer decisão aos desdobramentos da guerra.
Em coletiva de imprensa, o ministro foi direto ao explicar a posição do governo: "Eu tinha expectativa de tirar a subvenção da gasolina. Mas a situação da guerra se agrava e ouvimos do presidente dos EUA uma declaração de guerra, o que nos acendeu um sinal de alerta e cautela para acompanhar a situação da guerra. [...] Não estamos discutindo aumento dos subsídios, apenas retirada".
Durigan também reforçou que a estratégia do governo permanece a mesma, aguardando o momento adequado para agir.
"A nossa estratégia não muda, o governo vai ter prontidão para erguer medidas de proteção à população. A partir do momento em que as causas da guerra cederem, vamos ter prontidão para retirar", ressaltou o ministro.
O agravamento da crise no Oriente Médio também tem adiado outra medida importante: o aumento da porcentagem do etanol na gasolina, de 30% para 32%.
Após dois adiamentos consecutivos, o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), órgão vinculado ao governo, marcou para a próxima terça-feira (14/7) a reunião que deve definir a questão. A medida também é vista como uma forma de conter a alta do preço do combustível no país.