Dorli Kamkhagi: “Conjugalidade e Parceria”

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Às vezes pensamos na dificuldade que os vínculos da conjugalidade nos impõem. Explico melhor: cada pessoa tem a sua história familiar constituída por transmissões e legados. Vivemos em parte carregando nossas heranças intrageracionais, o que nos torna únicos. Na medida em que vamos nos desenvolvendo e amadurecendo, fazemos escolhas. Algumas ligadas aos desejos de nossos pais e aqueles que constituem um lugar importante no nosso imaginário.
Conjugalidade e Transformações
No momento em que podemos, ou achamos que estamos prontos para nos tornar um casal, várias questões começam a se transformar em nossa vida. Embora cada um tenha seus desejos e sentimentos, o ‘viver a dois’ passa a ter um outro peso e dimensão na inclusão do outro.
Nem sempre é fácil e tranquilo viver com uma outra dinâmica familiar, uma outra cultura e tentar assimilar e formar a cultura de casal. Cada um de nós é único e tem seus pertencimentos que não podem ser negados. Aliás, quando não respeitamos quem é este outro acabamos por viver a dois em solidão.
E então os anos podem passar, planos vão também mudando. As trajetórias tomam novos contornos. Os filhos, as mudanças e algumas dificuldades nos permitem perceber que criamos uma história.
A própria percepção de um tempo no qual se construiu a linguagem que pode suportar dores, amores e perdões aponta para uma força no qual a realidade e o afeto permitiram ter um amor não mais de um conto de fadas, mas de um cotidiano no qual o olhar, o carinho e o afeto são o material precioso desta casal.
Um pouco de minha História
Acabei de voltar de uma viagem para Buenos Aires, cidade que tenho um profundo respeito e gratidão, pois estudei durante muitos anos psicanálise de casal e família com um amado mestre.
A viagem me fez rever Buenos Aires com olhos do presente, e com meu marido de 54 anos de vivência e amor. Fui tomada por uma percepção da construção das lealdades e da força de uma vida a dois.
Esta sensação de cuidados, de risadas e de uma parceria que foi construída ao longo de tantos anos, passando por tantos momentos de dificuldades e aceitação, me faz refletir sobre as cores de amores que puderam ser transformados e continuam a pedir passagem. São a marca de algo tão delicado, porém forte, que é o amor da maturidade que nos leva ao sentimento de amor infinito e gratidão.