Dólar abre em alta com tarifas dos EUA no radar

Dólar sobe a R$ 5,11 em sessão marcada pela prévia do PIB e pelas novas tarifas americanas sobre produtos brasileiros
O Dólar iniciou as negociações desta sexta-feira em leve alta, cotado a R$ 5,114, com variação de 0,32% em relação ao fechamento do dia anterior. A sessão foi influenciada pela divulgação da prévia do PIB por meio do IBC-Br (Índice de Atividade Econômica do Banco Central) e pelos impactos no câmbio das novas tarifas aplicadas pelos Estados Unidos ao Brasil. No acumulado da semana, o Dólar registrou leve variação negativa, recuando do patamar de R$ 5,12 para R$ 5,10, após atingir a máxima de R$ 5,13 na segunda-feira.
O mercado acompanha com atenção o impacto das tarifas americanas sobre o câmbio brasileiro. O aumento das taxas de importação sobre produtos brasileiros exportados ao mercado americano, vigente a partir de 22 de julho, tem potencial para reduzir as vendas ao segundo maior parceiro comercial do Brasil, em um momento em que a balança comercial tem sustentado o superávit do fluxo cambial no país. A lista de exceções divulgada pelos Estados Unidos deixou fora da taxação de 25% mais de 2 mil itens exportados pelo Brasil, o que mitiga parte do impacto sobre as empresas.
No entanto, o setor corporativo alerta que o governo americano ainda analisa a possibilidade de aplicar uma taxa extra de 12,5% sobre produtos cuja cadeia de produção envolva trabalho forçado. No mercado de petróleo, a estabilização dos preços aliviou parte das pressões sobre o câmbio. Na ICE International Exchange, o contrato para setembro do barril cedia 0,2% às 9h (horário de Brasília), a US$ 84,79, abaixo da máxima semanal de US$ 87,44, o maior preço desde 11 de junho.
No ambiente doméstico, o mercado analisou os dados do IBC-Br referentes a maio de 2026. O índice cresceu 0,1% em relação a abril de 2026, na série com ajuste sazonal, com variação de menos 1,0% na agropecuária, mais 0,4% na indústria e mais 0,1% em serviços. No trimestre encerrado em maio de 2026, ante o trimestre terminado em fevereiro de 2026, o IBC-Br apresentou alta de 0,7%, enquanto nos últimos 12 meses o indicador avançou 1,4%. Com o ritmo da economia desaquecendo, o mercado ajustou suas apostas para os juros. A maior parte dos agentes do setor financeiro espera um novo corte da taxa básica Selic na próxima reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), marcada para os dias 4 e 5 de agosto.
Atualmente em 14,25%, a Selic deve ser reduzida a 14%, segundo 84% das posições em contratos de Copom na B3. O restante das posições aposta na manutenção da taxa. O Ibovespa chegou a esta sexta-feira após três pregões consecutivos de queda na semana. Na quinta-feira, o principal índice de ações do mercado brasileiro recuou 1,24%, encerrando a 173.825 pontos, o menor patamar desde 9 de julho.
A JSL, líder em logística no mercado brasileiro, apresentou seu guidance projetando atingir receita bruta de R$ 21,4 bilhões até 2030, o que representa um crescimento médio anual de 14% a partir de 2025. A companhia informou que sua receita cresceu a uma taxa média anual de 25% no período, passando de R$ 3,3 bilhões nos últimos 12 meses encerrados no terceiro trimestre de 2020 para R$ 11,4 bilhões nos últimos 12 meses até o primeiro trimestre de 2026. Com base nessa estimativa, a empresa espera alcançar Ebitda de R$ 3,7 bilhões em 2030.
A Telefônica Brasil aprovou o pagamento de R$ 500 milhões aos acionistas, com valor bruto de R$ 0,1565 por ação. Após a retenção de Imposto de Renda na fonte de 17,5%, o valor líquido será de R$ 0,1291 por ação. Terão direito ao pagamento os acionistas que possuírem ações ao fim do pregão de 27 de julho de 2026, com pagamento previsto até 30 de abril de 2027, em data a ser definida pela diretoria. A Cosan teve sua nota de crédito rebaixada pela Moody"s, de Ba3 para B1, com manutenção da perspectiva negativa.
A agência apontou a fraca cobertura de juros no nível da holding e a continuidade da dependência da monetização de ativos. A Moody"s alertou ainda que a reestruturação da Raízen reduziu de forma relevante os dividendos recebidos pela Cosan e pressionou sua geração de caixa, embora tenha reconhecido medidas adotadas pela companhia para reforçar seu perfil de crédito. Já a Vamos, companhia de locação de caminhões, máquinas e equipamentos, reportou avanço nas vendas no segundo trimestre de 2026, com receita líquida de R$ 1,6 bilhão, alta de 10,1% na comparação anual. O resultado foi impulsionado por aumento de 7,5% em locação, a R$ 1,1 bilhão, e de 12,6% em vendas de ativos, para R$ 365 milhões.