IPCA-15 registra deflação em BH

Foto: Guilherme Santos/Sul21.com.br
IPCA-15 de julho registra deflação em BH, mas especialistas pedem cautela antes de decisão do Copom sobre a Selic
O alívio sentido pelos consumidores da Região Metropolitana de Belo Horizonte nas compras do mês se refletiu na prévia da inflação divulgada pelo IBGE. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) de julho registrou uma queda de 0,12% nos preços na capital mineira e cidades vizinhas, marcando a primeira deflação do ano na região. No Brasil, o índice ficou em 0,06%. Mesmo com a energia elétrica mais cara devido à bandeira amarela e ao reajuste de 5,21% aplicado pela Cemig desde 28 de maio, que provocou alta de 1,37%, e com a elevação de 13,6% nas passagens aéreas, a Região Metropolitana de Belo Horizonte registrou deflação graças à redução significativa de preços em produtos com peso considerável na cesta básica.
O tomate caiu 20,79%, a banana prata ficou 11,68% mais barata, o café moído recuou 4,66% e a batata-inglesa, que havia sido vilã da inflação em junho, caiu 20,03% na RMBH. A variação acumulada em 12 meses foi de 3,60% na RMBH, o segundo menor resultado entre as áreas pesquisadas — a Grande Curitiba registrou o menor valor, com 3,36%. A média nacional da inflação acumulada em 12 meses ficou em 4,52%, ligeiramente acima da meta estabelecida pelo Banco Central. Com a inflação controlada, cresce a expectativa de que o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reduza a taxa Selic na próxima reunião, prevista para a semana que vem. No entanto, especialistas alertam para a necessidade de cautela antes de qualquer decisão sobre os juros, atualmente em 14,25%. Valdir Piran Jr., CEO da gestora Intra Asset, pondera que outros fatores precisam ser considerados. "O IPCA-15 mais moderado reforça a percepção de desaceleração da inflação corrente e reduz parte da pressão sobre a decisão do Copom.
No entanto, o resultado não é suficiente, isoladamente, para compensar os riscos associados às novas tarifas dos Estados Unidos. O impacto do tarifaço sobre a inflação de 2026 dependerá principalmente de seus efeitos sobre o câmbio, os custos de produção e a reorganização dos fluxos comerciais", explica o gestor. Já o economista Pablo Spyer, conselheiro da Associação Nacional das Corretoras de Valores (Ancord), avalia que o resultado do IPCA-15 tende a ser bem recebido pelo mercado. "Para o investidor, inflação menor significa uma melhora do ambiente econômico. Os juros futuros tendem a recuar, reduzindo o custo de capital das empresas e favorecendo ativos de risco, como a Bolsa. É mais um passo na direção de uma economia mais equilibrada, embora a disciplina fiscal continue sendo fundamental", afirma. Para o mercado de crédito, a notícia é positiva, mas o otimismo deve ser contido.
Alberto Friggi, CEO da corretora Friggi & Secco, destaca que os efeitos do tarifaço dos EUA ainda devem ser sentidos na economia brasileira. "Para o mercado de crédito, a desaceleração do IPCA-15 só ganha efeito mais relevante quando começa a reduzir de forma consistente a curva futura de juros, porque é essa expectativa que influencia o custo das operações de médio e longo prazo. O tarifaço adiciona uma variável importante a essa equação: pode aumentar a oferta doméstica de determinados produtos e aliviar preços, mas também pressionar o câmbio, insumos e custos de produção em setores como construção, agronegócio e indústria. Isso torna a trajetória da inflação de 2026 mais dependente do efeito líquido entre essas forças", explica Friggi. O cenário aponta para uma decisão delicada do Copom na próxima semana. Embora o IPCA-15 de julho traga sinais favoráveis, a incerteza gerada pelas tarifas norte-americanas e seus possíveis reflexos sobre o câmbio e os custos de produção tornam o corte da Selic uma medida que exige análise cuidadosa de múltiplos fatores.