Copa do Mundo bate recorde de audiência nos EUA

Estados Unidos x Bélgica - Foto: Divulgação/U.S. Soccer Men's National Team
Com mais de 50 milhões de espectadores em um único jogo, a Copa do Mundo registra a maior audiência esportiva nos EUA em 30 anos
A Copa do Mundo de 2026 registrou a maior audiência esportiva nos Estados Unidos em mais de 30 anos, com mais de 50 milhões de espectadores em um único jogo. Os números, levantados pela rede Fox, superaram qualquer evento esportivo não relacionado à NFL desde as Olimpíadas de Inverno de 1994, consolidando o futebol como uma força crescente no mercado americano. Apesar do recorde histórico, a audiência da Copa do Mundo ainda está distante dos números da National Football League (NFL), que segue como a liga esportiva dominante no país. A média de espectadores por jogo da NFL no ano passado foi de 18,7 milhões, enquanto o Super Bowl reuniu 127,7 milhões de pessoas conectadas, segundo dados da própria liga.
Os dados foram divulgados oficialmente por Michael Mulvihill, analista de audiência da Fox, que detém os direitos de transmissão da Copa do Mundo em inglês nos EUA. A Telemundo transmite os jogos em espanhol.
- A partida entre Estados Unidos e Bélgica, pelas oitavas de final, registrou 50,1 milhões de visualizações, tornando-se o jogo mais assistido da competição.
- O confronto entre México e Inglaterra atraiu 46,7 milhões de espectadores, consolidando o segundo maior número da Copa do Mundo 2026.
- Nas duas partidas, os países-sede da competição foram eliminados, mas os índices de audiência permaneceram elevados.
- Comparando com os números de 2022, a audiência dos jogos após a eliminação dos países-sede foi 121% maior do que na copa anterior.
Antes das eliminações, o crescimento foi de 122%. Esses dados derrubaram a hipótese de analistas que condicionavam o sucesso de audiência exclusivamente à participação da seleção americana na competição.
O marco superado pela Copa do Mundo 2026 remontava a 23 de fevereiro de 1994, quando 110,5 milhões de pessoas assistiram ao programa curto de patinação artística feminina nas Olimpíadas de Inverno. A audiência extraordinária daquele evento teve relação direta com uma das maiores polêmicas do esporte americano da época. A patinadora Nancy Kerrigan havia sido agredida com um bastão em janeiro daquele ano por um homem contratado pelo ex-marido de sua rival, Tonya Harding, com o objetivo de retirá-la das seletivas olímpicas.
Apesar dos ferimentos, Nancy se classificou para a competição, assim como Harding, que na época era apenas suspeita do crime. Kerrigan terminou em segundo lugar, perdendo para a ucraniana Oksana Baiul, de 16 anos, enquanto Harding ficou em 10º após uma falha em um equipamento. Tonya foi condenada pelo crime em junho daquele ano e perdeu para sempre o direito de competir.
O sucesso da Copa do Mundo entre o público americano despertou o interesse de grandes plataformas de streaming. Segundo o canal CNBC, Netflix, Disney e YouTube sinalizaram interesse em disputar os direitos de transmissão dos jogos para 2030 e 2034. Amazon e Apple, que hoje transmite a liga americana de futebol, também podem entrar na disputa. A expectativa é de que as negociações com a Fifa comecem ainda em 2026. Os aportes financeiros para os direitos de transmissão estão estimados entre US$ 1,5 bilhão e US$ 2 bilhões, segundo a CNBC. Para efeito de comparação, Fox e Telemundo pagaram, respectivamente, US$ 485 milhões e US$ 600 milhões pelos direitos de transmissão dos jogos em 2026, de acordo com o The Athletic, do The New York Times.
Os bons números também se refletem dentro dos campos. Mesmo com ingressos caros e alguns jogos inacessíveis para quem não tem carro, a ocupação média dos estádios chegou a 99,7%, segundo dados da Fifa. A estimativa é de que mais de 6,25 milhões de pessoas tenham comparecido aos jogos nas três sedes até o fim das oitavas de final.