Médica acusada de matar mulher para 'tomar' seu lugar de mãe vai a júri popular

Cláudia Soares Alves, de 42 anos, é a médica suspeita de raptar um bebê em Uberlândia, Minas Gerais,foi presa em Goiás
Médica acusada de mandar matar farmacêutica para assumir maternidade da filha da vítima será julgada em Uberlândia
A 3ª Vara Criminal da Comarca de Uberlândia, em Minas Gerais, determinou que a médica Cláudia Soares Alves seja levada a júri popular pelo assassinato da farmacêutica Renata Bocatto Derani, ocorrido em 2020. Segundo a polícia, o crime foi motivado pelo desejo da acusada de assumir a maternidade da filha da vítima. A pronúncia foi publicada pelo juiz Dimas Borges de Paula.
Além de Cláudia Soares Alves, o vizinho dela, Paulo Roberto Gomes da Silva, também irá a júri popular. Ele responde por homicídio duplamente qualificado por ter matado a vítima de forma que impossibilitou sua defesa e por ter cometido o crime sob promessa de recompensa financeira. A médica, por sua vez, será julgada por homicídio qualificado por motivo torpe.
A defesa dos réus tentou anular a ida do caso ao júri popular, mas a Justiça indeferiu o pedido. Em sua decisão, o magistrado entendeu que as provas colhidas durante a investigação são suficientes para levar o caso ao julgamento popular, que decidirá se Cláudia Soares Alves e Paulo Roberto são culpados ou inocentes.
A Justiça ainda não definiu uma data para o julgamento, sendo necessário que o Tribunal marque previamente uma sessão para a seleção dos jurados. O UOL não conseguiu localizar as defesas de Cláudia e Paulo Roberto para posicionamento, e o espaço segue aberto para manifestação.
Renata foi assassinada na manhã do dia 7 de novembro de 2020. A farmacêutica estava chegando ao local de trabalho quando foi surpreendida por um homem que lhe entregou uma carta e, em seguida, atirou contra ela. Ela morreu no local.
Na época do crime, a polícia não suspeitou do envolvimento de Cláudia Soares Alves, que só passou a ser considerada suspeita anos depois, quando virou notícia na imprensa pelo rapto de uma recém-nascida dentro de um hospital de Minas Gerais, em 2024.
De acordo com a investigação, Cláudia Soares Alves manteve um relacionamento de dois meses com o ex-marido de Renata, com quem ele tinha uma filha de 9 anos. A médica queria ocupar o posto de mãe da criança e, por esse motivo, seria a mandante do crime. A polícia afirma que Cláudia era "obcecada" com a ideia de ser mãe de uma menina.
Conforme a investigação, ela chegou a tentar adotar uma criança por meios fraudulentos, com uso de documentos falsos, a tentar comprar uma bebê na Bahia, além do episódio do rapto da recém-nascida dentro do hospital.
O rapto que trouxe Cláudia aos holofotes
Cláudia Soares Alves ganhou notoriedade após ser presa pelo rapto de uma recém-nascida em julho de 2024. Na ocasião, ela teria usado suas credenciais de médica para entrar na maternidade do HC-UFU (Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Uberlândia) e sequestrado a bebê.
A médica estava paramentada, usou nome falso e se passou por pediatra, sendo que sua especialidade é neurologia. Câmeras registraram o momento em que ela chegou de carro, parou em frente à unidade de saúde e desceu do veículo usando jaleco, touca, máscara, luvas de borracha, mochila e um crachá da universidade. A bebê foi colocada na mochila e levada para a casa de Cláudia Soares Alves.
A polícia encontrou a recém-nascida aos cuidados de uma empregada da médica. A trabalhadora disse que se assustou ao ver a bebê na casa e não acreditou que a menina fosse filha da patroa, mas seguiu suas tarefas normalmente. A empregada não foi indiciada.
A recém-nascida foi devolvida à família, e por esse rapto, Cláudia também responde criminalmente, mas ainda não foi julgada por esse caso.
A defesa de Cláudia Soares Alves alegou que ela tem transtorno bipolar. O advogado argumentou que a médica estava em crise psicótica quando raptou a bebê e não tinha capacidade de discernir sobre seus atos.
Cláudia era professora concursada da Universidade Federal de Uberlândia, aprovada em primeiro lugar no concurso, mas foi exonerada em julho daquele ano em razão do rapto. A universidade alegou que ela manteve conduta incompatível com a moralidade administrativa e fez uso do cargo que ocupava para proveito pessoal.