Carla Zambelli está desaparecida na Itália, diz deputado italiano

Foto: Wikimedia Commons
Deputado italiano Angelo Bonelli afirma que Carla Zambelli sumiu após ser vista pela última vez em culto em Roma
O deputado italiano Angelo Bonelli, que no ano passado denunciou às autoridades italianas o endereço da ex-deputada Carla Zambelli — episódio que resultou em sua prisão pela Interpol —, afirmou nesta quarta-feira que atualmente ninguém sabe onde ela está. Na avaliação de Bonelli, Carla Zambelli estaria aguardando as eleições presidenciais brasileiras de outubro, na expectativa de que uma eventual vitória do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) possa abrir caminho para seu retorno ao Brasil. — "A última vez que a Carla Zambelli foi vista em público foi numa igreja em Roma, num encontro de apoio a ela" — disse Bonelli, durante agenda na Câmara Municipal de São Paulo, conforme divulgado pelo portal UOL.
O parlamentar italiano também especulou sobre um possível cenário político favorável à ex-deputada: — "Se o (Flávio) Bolsonaro ganhar, pode ser que o governo futuro pense em fazer uma anistia para quem cometeu crime, como a Carla Zambelli." Bonelli ainda criticou a postura de Carla Zambelli diante das determinações judiciais brasileiras, invocando o conceito de responsabilidade pública. — "Quando uma pessoa foge da Justiça, não é uma postura boa, especialmente quando essa pessoa tem uma responsabilidade pública" — afirmou o deputado italiano. No Brasil, Bonelli, que é ativista ambiental, se reuniu com representantes do Partido Verde (PV) para discutir temas ligados ao meio ambiente, à sustentabilidade e às mudanças climáticas. O encontro foi organizado pelo vereador Roberto Tripoli (PV).
A última vez em que Carla Zambelli foi vista publicamente foi no dia 11 deste mês, quando participou de um culto organizado pelo grupo evangélico brasileiro "Patriotas em Roma", conforme revelou o GLOBO. Na ocasião, em discurso emocionado no púlpito, ela orou pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e pelos condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023. Carla Zambelli também agradeceu o apoio dos senadores Flávio Bolsonaro (PL-RJ), Eduardo Girão (Novo-CE), Magno Malta (PL-ES) e Damares Alves (Republicanos-DF), que teriam "cruzado o Oceano Atlântico" para visitá-la na prisão. — "Hoje, graças a Deus, não tenho raiva no meu coração. Eu oro para que Deus tenha misericórdia daquelas almas que hoje fazem injustiça, que prendem e perseguem. Porque, se eles se arrependerem e mudarem o caminho, ainda serão dignos da justiça e salvação de Deus. Que Deus possa fazer milagres na vida de cada um dos presos de 8 de janeiro e na vida do nosso presidente Bolsonaro" — disse Carla Zambelli durante o culto. O discurso foi divulgado nas redes sociais pelo perfil do grupo religioso e também por Rita Zambelli, mãe da ex-parlamentar e pré-candidata a deputada federal pelo PL em São Paulo. Segundo ela, o evento era um "Culto em Ação de Graça" dedicado à liberdade de Carla Zambelli.
No final de maio, a Corte de Cassação da Itália — equivalente ao Supremo Tribunal Federal brasileiro — revogou a decisão que havia autorizado a extradição de Carla Zambelli, concedendo também sua liberdade. A decisão foi expedida na mesma semana em que o ministro Alexandre de Moraes, do STF, determinou que o Ministério da Justiça e o Itamaraty adotassem medidas para efetivar a extradição da bolsonarista, justamente com base em uma decisão anterior da Corte de Roma que havia sido favorável ao procedimento. Ambas as decisões têm relação com a primeira condenação imposta pelo STF a Carla Zambelli, no caso da invasão aos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), processo no qual a ex-deputada foi sentenciada a dez anos de prisão.
Segundo a defesa de Carla Zambelli, a decisão da Corte de Cassação abrange os dois processos em que foi pedida sua extradição, atingindo também o pedido relacionado à segunda condenação da ex-parlamentar, por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal. Carla Zambelli, que possui cidadania italiana, deixou o Brasil em maio do ano passado, passando pelos Estados Unidos antes de se instalar na Itália. Dois meses após sua chegada ao país europeu, ela foi presa e declarou que queria ser julgada na Itália. Em dezembro, a Câmara dos Deputados rejeitou a cassação de seu mandato, mas o Supremo Tribunal Federal anulou a votação e decretou diretamente a cassação em razão de sua condenação à prisão. Enquanto o processo de extradição tramitava na Itália, a Justiça italiana manteve Carla Zambelli detida na penitenciária feminina de Rebibbia, em Roma, por entender que havia risco de fuga. Segundo o governo brasileiro, caso seja extraditada, a ex-parlamentar ficará presa na Penitenciária Feminina do Distrito Federal, conhecida como Colmeia.