Camilo Santana defende aliança do PT em Minas

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Senador do PT afirma que avaliação do partido em Minas Gerais é "muito ruim" e que a melhor estratégia é apoiar candidato aliado
O senador Camilo Santana (PT-CE), integrante da coordenação de campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, defende que o PT não deve lançar candidatura própria em Minas Gerais nas eleições de 2026. Para ele, a má avaliação do governo de Fernando Pimentel no estado ainda pesa sobre a legenda, tornando mais estratégico apoiar um nome de partido aliado com maior viabilidade eleitoral. Além da questão mineira, Camilo Santana abordou temas como a relação entre Lula e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, as possibilidades de aliança com União Brasil e PP, a situação do PT no Ceará e a necessidade de ajuste fiscal em um eventual quarto mandato do presidente.
Ao ser questionado sobre os riscos de o PT manter candidatura própria em Minas Gerais, Camilo Santana foi direto: "Esse é um dos motivos pelos quais eu defendo que não seja um nome do PT, por conta do resultado do governo do (Fernando) Pimentel". O senador reconhece que, mesmo considerando as justificativas da época, como as dívidas com a União, "a avaliação do PT por lá foi muito ruim". Para ele, "não é risco de fiasco, mas a melhor estratégia para Minas é ter um candidato que não seja do partido, que seja do arco de alianças". Camilo Santana classifica essa indefinição como "a maior preocupação" no processo de formação dos palanques, a poucos dias do início das convenções partidárias.
Nomes como Jarbas Soares (PSB) e Gabriel Azevedo (MDB) foram citados como possibilidades em discussão, com o coordenador Edinho conduzindo as conversas. O senador ressalta a importância de ouvir o PT estadual, mas reforça que "para fortalecer a campanha do presidente Lula em Minas é importante ter um arco de alianças maior, com candidatos que possam ter viabilidade eleitoral".
Sobre Marília Campos, apontada como o nome mais competitivo do PT em Minas, que optou por disputar o Senado em vez do governo estadual, Camilo Santana afirmou respeitar a decisão pessoal dela, mas ponderou: "Acho que há determinados momentos que tem missão a cumprir". Ele citou o caso de Haddad em São Paulo como exemplo de candidato que resistiu inicialmente, mas acabou sendo lançado. "O resultado só temos quando termina o jogo", disse.
Camilo Santana avalia que as sucessivas crises na campanha de Flávio Bolsonaro abriram espaço para um diálogo mais concreto entre a federação União-PP e o campo lulista. "Não tenho dúvida de que isso foi o que permitiu esse diálogo. A fragilidade do Flávio nas pesquisas, isso tudo ajuda, porque os partidos querem perspectiva de vitória", afirmou o senador, que defende que "a gente não deve fechar portas para ninguém". Segundo Camilo Santana, as conversas envolvem tanto a possibilidade de uma aliança formal quanto a de neutralidade em nível presidencial, com parcerias construídas nos estados. O prazo para definição é 5 de agosto. Sobre eventuais negociações de espaço no governo em troca de apoio, o senador foi categórico: "Sou contra qualquer negociação antecipada e de participação no governo". Ainda assim, reconheceu que "com certeza teremos espaços para todos aqueles aliados, isso faz parte da história da política e é natural".