PBH apresenta serviço de busca ativa de pessoas em situação de rua

© José Cruz/Agência Brasil
A PBH apresentou o trabalho do SEAS, serviço que realiza busca ativa e acolhimento da população em situação de rua na capital mineira
Belo Horizonte tem cerca de 16 mil pessoas vivendo nas ruas, de acordo com dados do Cadastro Único. Diante desse cenário, a Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) realizou, na quinta-feira (16/7), uma ação demonstrativa do Serviço Especializado de Abordagem Social (SEAS), na Praça Sete, no centro da capital. A iniciativa mostrou como funciona o trabalho diário de busca ativa, acolhimento e encaminhamento dessa população para a rede socioassistencial do município.
Durante a atividade, equipes percorreram o entorno da praça enquanto duas unidades móveis do serviço permaneceram estacionadas no local para realizar atendimentos. Segundo a diretora de Políticas para a População em Situação de Rua da capital, Alice Brandão, o trabalho é realizado nas nove regionais da cidade, com maior concentração na região Centro-Sul, onde há maior número de pessoas vivendo nas ruas. "A ideia é identificar pessoas em situação de rua e oferecer o apoio necessário por meio da rede de assistência social da Prefeitura. São realizados encaminhamentos para abrigos, emissão de documentação, acesso a benefícios sociais, além de um trabalho de aproximação, escuta e construção de vínculo, para que essas pessoas possam superar a condição de situação de rua", explicou Alice Brandão.
As equipes são compostas por assistentes sociais, psicólogos, educadores sociais, arte-educadores e educadores pares — profissionais que já viveram em situação de rua e hoje atuam na aproximação com quem ainda enfrenta essa realidade. "O trabalho vai além da oferta de um abrigo. É um processo de escuta, construção de vínculo e confiança para que a pessoa aceite os encaminhamentos para a rede de proteção social", destacou a diretora.
Atualmente, o serviço funciona diariamente, das 8h às 22h, e realiza entre 6 mil e 7 mil abordagens por ano. Alice Brandão destaca que um dos principais desafios é justamente conquistar a confiança das pessoas. "Muitas chegam à rua após romper vínculos familiares e comunitários. Retomar esse vínculo, agora com um serviço público, exige tempo, escuta qualificada e muito cuidado", explica.
De acordo com ela, a maioria das pessoas atendidas é formada por homens adultos em situação de extrema vulnerabilidade social, mas o município observa aumento no número de mulheres vivendo nas ruas. Também há pessoas com sofrimento mental, migrantes que chegaram à capital em busca de oportunidades e indivíduos que perderam o suporte familiar e financeiro. Quando crianças são encontradas em situação de rua, o atendimento passa a ser prioritário: a família é encaminhada imediatamente para acolhimento, enquanto o Conselho Tutelar e os órgãos de proteção são acionados.
Entre os profissionais que atuam no SEAS está Jade Oliveira, de 31 anos, que viveu em situação de rua e completou, no último dia 14 de julho, um ano desde que deixou essa realidade. Mulher trans, Jade conta que enfrentou preconceito no mercado de trabalho e encontrou na prostituição uma forma de sobrevivência antes de ser acolhida por um projeto da prefeitura de Belo Horizonte.
A Secretaria Municipal de Assistência Social e Direitos Humanos (SMASDH) esclarece que há dois dados disponíveis que referenciam as políticas públicas para a população em situação de rua em Belo Horizonte. "De acordo com dados do Cadastro Único para programas sociais, Belo Horizonte possui cerca de 16 mil pessoas inscritas e autodeclaradas em situação de rua. Já a última pesquisa censitária realizada pelo município, em parceria com a Faculdade de Medicina da UFMG, em 2022, identificou 5.344 pessoas em situação de rua."
Segundo a nota, "para que se compreenda a diferença entre os dados, é necessário considerar o recorte temporal adotado. O Cadastro Único contabiliza todas as pessoas inscritas desde o início do cadastramento, com cadastros atualizados ou não, funcionando como um registro contínuo ao longo dos anos. A base não é limpa automaticamente pelo Governo Federal, mesmo que o indivíduo ou a família deixem de atualizar o cadastro. Já o Censo utiliza uma metodologia censitária baseada na coleta de dados em campo, contabilizando apenas as pessoas em situação de rua nos dias da pesquisa e pode ser visto como uma fotografia de um momento específico."