Anvisa aprova uso pediátrico de medicamentos para lúpus e esclerose múltipla

Fachada da Anvisa | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Anvisa libera uso pediátrico do Benlysta e do Ocrevus para tratar lúpus e esclerose múltipla em crianças e adolescentes
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou, na última segunda-feira (20), a ampliação do uso de dois medicamentos para crianças e adolescentes. Os remédios aprovados são o Benlysta (belimumabe) e o Ocrevus (ocrelizumabe), destinados ao tratamento do lúpus eritematoso sistêmico (LES) ativo e da esclerose múltipla remitente-recorrente (EMRR), respectivamente.
O Benlysta foi aprovado como tratamento complementar para pacientes com alto grau de atividade da doença a partir dos cinco anos de idade. A aprovação é válida para a versão em caneta aplicadora do medicamento, voltada especificamente a pessoas em tratamento padrão com corticosteroides, antimaláricos, anti-inflamatórios não esteroides ou outros imunossupressores.
A Anvisa ressalta que a formulação intravenosa do Benlysta já havia sido aprovada para uso pediátrico anteriormente. A alternativa subcutânea, no entanto, representa um avanço importante, pois pode reduzir a necessidade de deslocamento dos pacientes a centros de infusão, facilitando o acesso ao tratamento.
O Ocrevus, por sua vez, foi aprovado para pacientes com 12 anos ou mais e peso igual ou superior a 40 kg. O medicamento é um anticorpo monoclonal recombinante que atua na redução da atividade inflamatória associada à esclerose múltipla.
Lúpus eritematoso sistêmico (LES)
O lúpus eritematoso sistêmico é uma doença autoimune crônica e potencialmente grave. Em crianças e adolescentes, a condição tende a apresentar maior atividade inflamatória, maior carga sistêmica e maior risco de dano orgânico ao longo do tempo, em comparação ao lúpus diagnosticado em adultos.
A doença pode afetar a pele, as articulações, os rins, o sangue e o cérebro. Entre os sintomas mais comuns estão fadiga extrema, dores articulares, manchas em formato de borboleta no rosto e sensibilidade ao sol.
Esclerose múltipla
A esclerose múltipla é uma doença crônica, inflamatória, autoimune e neurodegenerativa, caracterizada principalmente pela destruição da mielina, substância que protege os neurônios.
As células de defesa, cuja ação é controlada pelo medicamento aprovado pela Anvisa, estimulam a inflamação e levam à disfunção neurológica progressiva. A doença pode se manifestar por meio de fadiga intensa, fraqueza muscular, alterações no equilíbrio e na coordenação, dores, depressão e problemas no controle urinário e intestinal.
Seus efeitos variam: alguns pacientes apresentam pouca incapacidade ao longo da vida, enquanto outros desenvolvem limitações mais graves. Considerada uma doença rara, sua causa ainda não é totalmente compreendida, mas está associada à interação de fatores genéticos e ambientais.
No público pediátrico, há maior frequência de surtos e potencial impacto no desenvolvimento cognitivo, educacional e social dos pacientes.
Com as novas aprovações, a Anvisa amplia as opções terapêuticas disponíveis para crianças e adolescentes que convivem com essas duas condições autoimunes, contribuindo para um tratamento mais acessível e adequado a esse grupo.