Brasil dá adeus à Copa e frustração toma conta de torcida, jogadores e Ancelotti

Bruno Guimarães corre para a cobrança de pênalti, defendida por Nyland - Créditos: Rafael Ribeiro / CBF
Torcedores e jogadores lamentam a saída do Brasil da Copa, enquanto Ancelotti pede paciência e projeta reconstrução até 2030
A eliminação do Brasil na Copa do Mundo deixou uma marca profunda tanto nas arquibancadas do MetLife Stadium quanto no vestiário da Seleção Brasileira. Na saída do estádio, em Nova Jersey, os torcedores brasileiros — maioria entre os mais de 80 mil presentes — deixaram o local visivelmente abatidos após a derrota para a Noruega neste domingo (5). A frustração tomou conta de quem veio dos Estados Unidos e de quem viajou do Brasil especialmente para acompanhar a equipe, esperando vê-la avançar às quartas de final.
As críticas ao desempenho da seleção foram unânimes entre os torcedores. "Faltou intensidade. Quando a gente vê outras equipes jogando, fica evidente que falta intensidade nessa seleção", disse o torcedor Rubens. O mineiro Marcos também não poupou os jogadores: "Eles deveriam ter jogado mais. O sentimento é de decepção. A gente esperava mais. O Ancelotti deveria pegar mais no pé dos jogadores."
Nem todos, porém, perderam a confiança no trabalho do treinador italiano. Andrei Trestivo, brasileiro que mora no estado do Missouri, acredita que Ancelotti, cujo contrato vai até 2030, deve permanecer no cargo para desenvolver as novas gerações. "Se ele tiver mais tempo, vai desenvolver uma seleção imbatível", afirmou. Carol, por sua vez, não escondeu a frustração, mas manteve a esperança típica de cada ciclo: "Daqui a quatro anos vamos voltar de novo com a expectativa. A gente achava que o hexa viria, é muita frustração. Mas faz parte, e daqui a quatro anos estaremos de volta."
A tristeza da torcida se refletiu diretamente no estado emocional dos jogadores. Cenas de desolação tomaram conta do gramado após o apito final. O atacante Matheus Cunha, derrubado na área no lance que gerou o pênalti desperdiçado por Bruno Guimarães logo no início do primeiro tempo, revelou a dimensão da dor: "É uma frustração e uma dor muito grandes, porque emocionalmente é difícil imaginar o quanto seria bonita e orgulhosa a festa. Do fundo do coração, é o que mais dói."
Bruno Guimarães, escolhido por Ancelotti para cobrar a penalidade, bateu fraco e facilitou a defesa do goleiro Nyland, um dos heróis da classificação norueguesa. Muito abatido, o meio-campista falou sobre o momento: "Fui infeliz no pênalti. Tinha estudado muito o goleiro deles e achei que deveria bater no canto, mas ele pegou. Todo mundo está muito triste, é uma dor muito forte. Ninguém estava esperando por isso."
O lateral Danilo também ressaltou a tristeza com a eliminação, mas evitou comentar o ciclo conturbado vivido pela seleção antes da Copa, marcado por sucessivas trocas de treinadores até a chegada de Ancelotti, há pouco mais de um ano. "É claro que, quando um trabalho é desenvolvido por mais tempo, isso ajuda bastante em todos os sentidos. Agora, o que me cabe é ser um apoiador máximo, porque precisamos olhar para a frente e construir um futuro melhor. Temos muitos jogadores de qualidade. O desejo é que eles consigam fazer aquilo que nós não conseguimos", declarou.
No campo, o Brasil terminou a partida com apenas 35% de posse de bola, número raro para uma equipe historicamente reconhecida pelo talento ofensivo. A estratégia adotada não funcionou, e a seleção pagou caro por conceder espaços ao norueguês Haaland, que decidiu o jogo com um gol de cabeça e outro em chute cruzado. Neymar descontou de pênalti, mas tarde demais para uma reação.
O capitão Marquinhos reconheceu as falhas e a falta de eficiência nas oportunidades criadas, pedindo paciência da torcida com os jogadores que iniciarão o novo ciclo. "A gente sabe que o futebol hoje está muito equilibrado. Eu, como capitão, e os mais velhos temos que assumir a responsabilidade para que as próximas gerações tenham tranquilidade para trabalhar", disse. "Um novo ciclo começa a partir de agora. Não sabemos o que vai acontecer, mas peço paciência com os mais jovens e o apoio da torcida desde já, para que eles possam conquistar grandes coisas na próxima Copa."
Em entrevista coletiva, Ancelotti afirmou que o Brasil não merecia a derrota e que a equipe criou oportunidades suficientes para chegar à final do torneio. "Saímos tristes porque a equipe não fez um Mundial espetacular, mas fez um bom Mundial. No jogo de hoje, merecíamos ganhar. Em um momento assim, é preciso entender que uma derrota pode representar o começo de uma nova aventura", declarou o treinador.
Ancelotti defendeu ainda que a tristeza pela eliminação precoce deve servir de impulso para a reconstrução da equipe, que seguirá sob seu comando até a Copa do Mundo de 2030. "Temos que continuar trabalhando, evoluindo e encontrando novas ideias. Não é o fim. Essa derrota é o início de um novo ciclo", afirmou o técnico italiano, sinalizando que o projeto segue em andamento apesar do resultado frustrante.