Americanas nega atrasos e diz cumprir PRJ

Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
Varejista rebate credores e afirma cumprir integralmente o Plano de Recuperação Judicial, enquanto pede encerramento do processo.
As Americanas afirmou que vem cumprindo integralmente todas as obrigações previstas em seu Plano de Recuperação Judicial (PRJ) e negou qualquer atraso ou falha nos pagamentos aos credores. Por meio de comunicado ao mercado, a varejista rebateu questionamentos levantados por alguns credores que contestam o encerramento do processo de recuperação judicial. Segundo a companhia, as alegações apresentadas se referem a petições e questionamentos antigos, formulados antes mesmo do pedido de encerramento do processo.
A empresa destacou que esses temas já foram analisados nos fóruns competentes e que menos de 0,3% dos credores se opuseram ao encerramento do processo. Além disso, a Americanas ressaltou que já conta com pareceres favoráveis do Ministério Público e do administrador judicial. O diretor financeiro e de relações com investidores da Americanas, Sebastien Durchon, foi direto ao ponto: "Discussões são anteriores ao pedido de encerramento da Recuperação Judicial, os quais estão se aproveitando deste pedido para renovar suas oposições."
Nesta semana, um grupo de credores contestou a saída da Americanas da recuperação judicial. Entre os principais que se opõem ao encerramento estão a K2 Partnering Solutions, a Rerum Engenharia de Sistemas, a Lindt & Sprüngli Brasil e bondholders, detentores de títulos de dívida da companhia. A empresa, por sua vez, afirmou ter concluído todos os compromissos previstos para os dois anos posteriores à homologação do plano de recuperação.
A Americanas protocolou em março o pedido de encerramento da recuperação judicial na 4ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro, após concluir a venda das marcas Imaginarium e Puket. A solicitação ocorreu dois anos após a aprovação do plano de pagamento aos credores, atendendo ao prazo mínimo legal exigido. O movimento aconteceu no mesmo dia em que a Justiça homologou a venda da unidade Uni.Co, com a compradora BandUP! oferecendo R$ 152,9 milhões pelas marcas e vencendo a disputa após a desclassificação de uma oferta maior por descumprimento das regras do edital. No campo financeiro, a Americanas reduziu seu prejuízo no quarto trimestre para R$ 44 milhões, uma melhora expressiva em relação ao resultado negativo de R$ 586 milhões registrado no mesmo período do ano anterior. O desempenho foi impulsionado por um crescimento de 7,8% nas vendas das lojas físicas.
O encerramento do processo marca uma etapa decisiva após a descoberta de uma fraude bilionária que gerou dívidas de R$ 42,5 bilhões, o terceiro maior rombo na história das recuperações judiciais no Brasil. Para sobreviver, a rede manteve as lojas físicas abertas e reduziu a operação digital, com o número de unidades passando de 1.855 no início da crise para 1.470 no fim de 2025, com foco na geração de caixa e no corte de despesas. A recuperação exigiu aportes bilionários e a conversão de dívidas. Os acionistas de referência Jorge Paulo Lemann, Beto Sicupira e Marcel Telles injetaram R$ 12 bilhões na companhia, enquanto os bancos credores converteram outros R$ 12 bilhões de dívidas em ações da empresa. O Ministério Público e as administradoras judiciais seguem avaliando o pedido de saída da recuperação, e o juiz do caso deve intimar os órgãos em breve para que emitam pareceres sobre o encerramento do processo.