Faixas exclusivas de ônibus na Afonso Pena seguem sem data para operar

Faixa exclusiva para ônibus - Crédito: Marcos Vieira /EM/DA. Press. Brasil. Belo Horizonte - MG
Faixas exclusivas na Afonso Pena prometem aumentar em até 47% a velocidade dos ônibus, mas seguem sem data para entrar em operação
A implantação de faixas exclusivas e preferenciais para ônibus na avenida Afonso Pena, no Hipercentro de Belo Horizonte, prevista desde 2023 no projeto de revitalização da via, ainda não tem data para entrar em operação. O corredor viário é aguardado por usuários do transporte coletivo e pode aumentar em mais de 40% a velocidade média das viagens, com impactos positivos também para o trânsito de veículos particulares, conforme estimativas da prefeitura.
Inicialmente, o contrato previa o fim das obras de revitalização, e consequentemente a inclusão das novas faixas, para o segundo semestre de 2024. A Superintendência de Desenvolvimento da Capital (Sudecap) informou que as obras na Afonso Pena foram concluídas em 2025. No entanto, as placas indicando o corredor prioritário ainda estão voltadas para cima e os radares necessários para a operação sequer foram instalados. O Executivo não esclareceu o que impediu a conclusão do processo.
O projeto prevê cerca de 2,96 km de faixas exclusivas e preferenciais para ônibus nos dois sentidos da Afonso Pena, entre as praças Rio Branco e Milton Campos. A intervenção integra um conjunto de mais de 80 km de vias prioritárias no âmbito do Programa de Priorização do Transporte Coletivo de BH. Conforme registrado pela administração municipal no edital de licitação da obra, "as vias que já receberam infraestrutura destinada ao transporte coletivo apresentaram uma melhoria no tempo de viagem da ordem de 30%".
Para a Afonso Pena, o projeto prevê configurações distintas em cada sentido da avenida, de acordo com documento preparado pela Superintendência de Mobilidade do Município (Sumob):
Pista sentido Mangabeiras
Faixa exclusiva entre a rua Curitiba e a avenida Getúlio Vargas;
Faixa preferencial entre a avenida Getúlio Vargas e a avenida do Contorno.
Pista sentido RodoviáriaFaixa preferencial entre a avenida do Contorno e a rua Professor Moraes;
Faixa exclusiva entre a rua Professor Moraes e a rua Curitiba.
A principal justificativa da prefeitura para implantar as faixas prioritárias é a promessa de melhorar a fluidez do trânsito e reduzir o tempo de deslocamento pela região. Estudos apontam que a velocidade média dos ônibus na Afonso Pena pode aumentar até 47% no sentido Centro-bairro, passando de 9,1 km/h para 13,4 km/h. No sentido contrário, o ganho estimado é de 6%, com a velocidade média subindo de 14,3 km/h para 15,1 km/h. "Esses resultados implicam a redução do tempo de viagem do passageiro, a melhoria da pontualidade do cumprimento das viagens e a redução dos custos operacionais do transporte coletivo", argumenta a prefeitura, que também projeta melhora de 50% na velocidade média dos veículos particulares, saltando de 11,7 km/h para 17,6 km/h.
O Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Belo Horizonte (Setra-BH) também avalia que a novidade na Afonso Pena tende a trazer ganhos para a mobilidade. "A priorização do transporte coletivo é o caminho mais eficaz para humanizar o trânsito na cidade", defende a instituição. "A faixa exclusiva melhora a previsibilidade, a regularidade das viagens, com maior velocidade para as linhas que atendem o centro, reduzindo o tempo de espera nos pontos. A medida privilegia a coletividade, transportando um número muito maior de pessoas em menos espaço viário", acrescenta.
Apesar dos números defendidos pela prefeitura e da expectativa positiva dos usuários do transporte público, a implantação das novas faixas preocupa parte dos comerciantes da região. A Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL/BH) informou que pretende fazer um diagnóstico na área e teme que a experiência vivida na avenida Pedro II, com o fechamento de várias lojas após mudanças na gestão do trânsito, se repita no Hipercentro. Em nota, a entidade disse que as "dores" dos comerciantes locais precisam ser conhecidas e levadas em conta. "Entendemos que a fluidez do transporte coletivo é importante, mas ela não pode inviabilizar o comércio. Lembramos o caso da avenida Pedro II, onde o acesso às lojas ficou bastante prejudicado e resultou no fechamento de diversos empreendimentos, um cenário que não podemos repetir na Afonso Pena", registra.
As faixas exclusivas e preferenciais da Afonso Pena seguem sem previsão de operação, mantendo a tensão entre a expectativa de melhoria na mobilidade urbana e os receios dos comerciantes do Hipercentro de Belo Horizonte.