Aécio Neves descarta disputa pela Presidência

Foto: Câmara dos Deputados/Reprodução
Presidente do PSDB afirma que partido tende à neutralidade na disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro e foca em projeto para 2030
O deputado federal e presidente nacional do PSDB, Aécio Neves (MG), descartou a possibilidade de concorrer à Presidência da República nas eleições deste ano. Em entrevista ao Estadão publicada nesta quarta-feira, o parlamentar afirmou que a disputa será marcada pela "armadilha da radicalização política" e indicou que o partido tende a permanecer neutro na corrida entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL).
Aécio Neves foi direto ao explicar os rumos do PSDB para o ciclo eleitoral atual. "Depois de muitas conversas internas, tenho que afirmar, em primeiro lugar, que o PSDB caminha para não ter candidatura própria nesta eleição. Isso foi cogitado há pouco tempo. Eu próprio, você se lembra, sugeri o nome do governador Ciro Gomes como a nossa alternativa. Logo depois ele próprio, lideranças como Tasso Jereissati, Roberto Freire, dentre outras, sugeriram meu nome como esse candidato. Mas nós chegamos à conclusão de que nós temos que ter os pés no chão e sim iniciar a construção de um projeto vigoroso para 2030", declarou Aécio Neves ao Estadão.
A hipótese de Aécio Neves se tornar candidato próprio do PSDB ganhou força em meio à crise que atingiu a candidatura de Flávio Bolsonaro, após a revelação da relação entre o filho do ex-presidente e o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Naquele momento, o dirigente tucano chegou a receber o apoio dos presidentes do Solidariedade, Paulinho da Força (SP), e do Cidadania, Alex Manente, para uma candidatura ao Planalto. O plano, no entanto, não saiu do papel. Aécio Neves admite agora que também ainda não definiu se irá disputar o Senado por Minas Gerais.
Na entrevista, o deputado afirmou que sua prioridade será reestruturar o PSDB, partido cuja bancada na Câmara e presença nos estados encolheu ao longo dos últimos anos. Aécio Neves também classificou a eleição deste ano como "a mais fratricida da história recente do Brasil", em razão das tentativas de "ideologizar o debate". Diante desse cenário, reforçou a tendência de neutralidade do partido. "Nós vamos ter uma reunião da federação PSDB-Cidadania em breve, talvez nessas próximas duas semanas. O caminho natural hoje, depois de discutirmos até as possibilidades de uma candidatura, é o apoio a uma candidatura no centro. Mas o que nós percebemos é que, a três meses das eleições, ficou muito difícil furar essa bolha. Então, vamos dar um passo atrás para dar vários na frente e construir um projeto de Brasil a partir de agora já destas eleições", afirmou ao Estadão.