Ataque durante Parada LGBTQ+ em Berlim deixa uma morta e 29 feridos

Veículo branco atingiu várias pessoas na via Ahornsteig - Foto: RALF HIRSCHBERGER /
Ministro alemão classifica ataque durante a Parada LGBTQ+ como terrorismo islâmico; uma pessoa morreu e 29 ficaram feridas
O ministro do Interior da Alemanha, Alexander Dobrindt (CDU), afirmou neste domingo (27/07) que todas as evidências disponíveis até o momento apontam para um ataque terrorista islâmico ocorrido durante as celebrações do orgulho LGBTQ+ em Berlim.
Uma mulher morreu e pelo menos 29 pessoas ficaram feridas após uma van atropelar participantes da Parada LGBTQ+ no Tiergarten, no centro da capital alemã. O suspeito, identificado como Abdul B., de 21 anos, permanecia foragido no momento da declaração.
"Tudo o que vemos aqui aponta para um ataque terrorista islâmico", afirmou Dobrindt durante coletiva de imprensa próxima ao local do crime.
O ataque ocorreu na noite de sábado, pouco antes das 22h do horário local, durante a festa que se seguiu ao desfile da Christopher Street Day (CSD).
A van invadiu a multidão reunida no Tiergarten, causando a morte de uma mulher e deixando dezenas de feridos, alguns em estado crítico.
A CSD de Berlim é uma das maiores celebrações do orgulho LGBTQ+ da Europa, reunindo centenas de milhares de pessoas anualmente.
Suspeito já era conhecido das autoridades
Segundo Dobrindt, Abdul B. não era desconhecido das forças de segurança.
"Estamos lidando aqui com um suspeito que já havia chamado atenção anteriormente por um grande número de crimes, radicalização e afiliação ao meio islamista", disse o ministro.
Após atropelar as vítimas com a van, o suspeito também teria utilizado uma arma branca, provavelmente um facão, para atacar mais pessoas, causando ferimentos adicionais.
O ministro acrescentou que Abdul B. havia sido recentemente condenado a um ano e dez meses de prisão, com pena suspensa. O Ministério Público, que havia pedido três anos de prisão, interpôs recurso contra a decisão.
Diante da fuga do suspeito, as autoridades enviaram um grande contingente policial para Berlim, além de reforçar a vigilância em estações de trem, aeroportos e fronteiras em todo o país.
Abdul B. nasceu na Alemanha em 2005, possuía cidadania alemã desde o nascimento e tinha origem familiar libanesa. Sua mãe havia adquirido a cidadania alemã poucos anos antes de seu nascimento, em 2002.
"Estamos perplexos e profundamente abalados; nossos pensamentos e nossa dor estão com os familiares", declarou Dobrindt.
Ligações com o Estado Islâmico
De acordo com informações das emissoras NDR e WDR e do jornal Süddeutsche Zeitung, Abdul B. teria tentado viajar para a Síria para se juntar ao "Estado Islâmico".
Segundo essas fontes, ele havia sido detido no Aeroporto Internacional de Berlim (BER) no final de 2025, ao retornar do Líbano, onde teria sido interceptado pelas autoridades locais ao tentar se filiar ao grupo extremista.
A polícia alemã não confirmou oficialmente as alegações, mas sinalizou que divulgaria um comunicado atualizado ainda no domingo.
O Estado Islâmico (EI) tem sido associado a diversos ataques na Europa na última década e assumiu a responsabilidade pelo ataque ao mercado de Natal de Berlim em 2016, que resultou na morte de 13 pessoas.
O prefeito de Berlim, Kai Wegner (CDU), classificou o ocorrido como um ataque à sociedade como um todo, "ao nosso modo de conviver".
Uma cerimônia fúnebre foi organizada na Igreja de Santa Maria, no bairro de Berlin-Mitte, às 16h30, com a presença esperada do chanceler federal Friedrich Merz (CDU), seguida de uma caminhada conjunta até o Portão de Brandemburgo.
Sebastian Kröck, jornalista da Deutsche Welle, estava a apenas 50 metros do local onde a van colidiu com uma árvore no Tiergarten. Ele descreveu a cena como "horrível".
"De repente, vimos pessoas feridas e sangrando correndo em nossa direção, gritando", relatou à DW.
Centenas de milhares de pessoas haviam se reunido no centro de Berlim para o desfile anual, e o evento havia culminado com um show próximo ao Portão de Brandemburgo, incluindo uma apresentação da cantora alemã Sarah Connor.
O ataque em Berlim reacende o debate sobre segurança em grandes eventos públicos na Europa e sobre o monitoramento de indivíduos com histórico de radicalização já conhecidos pelas autoridades.