Zema se envolve em nova polêmica, dessa vez com o bolsa família

Foto: Elizabete Guimarães/ALMG
Pré-candidato do Novo acumula declarações controversas sobre mulheres, raça e regiões do Brasil, levantando dúvidas sobre gafes ou estratégia
O ex-governador e pré-candidato à Presidência Romeu Zema, do Novo, acumulou duas declarações polêmicas em uma única semana, gerando repercussão nas redes sociais e na imprensa. Os episódios não são isolados: somam-se a uma série de falas que marcaram seus dois mandatos à frente do governo de Minas Gerais, reacendendo o debate sobre se tais declarações são gafes ou parte de uma estratégia deliberada para gerar engajamento.
Na segunda-feira (22/6), durante evento da Confederação Nacional da Indústria, Zema afirmou que, se eleito presidente, exigiria que apenas os homens beneficiários do Bolsa Família concluíssem os estudos e realizassem cursos técnicos. Das mulheres, disse não cobrar o mesmo: "As mulheres têm outras atribuições em casa, têm filhos, têm uma diferença muito grande com relação aos homens."
A declaração foi criticada por entidades e parlamentares, que a classificaram como machista por associar as tarefas domésticas a uma responsabilidade exclusivamente feminina. A segunda polêmica do mesmo dia surgiu nas redes sociais do pré-candidato. Em um vídeo com críticas às políticas de cotas raciais e de gênero, o conteúdo utilizou imagens de pessoas negras e indígenas para ilustrar a mensagem. Entre elas, a da vereadora Marielle Franco, assassinada em 2018, além de representações de indígenas consideradas estereotipadas.
Episódios como esses, no entanto, não são novidade. Ao longo dos seus mandatos como governador de Minas Gerais, Zema acumulou uma série de declarações que geraram controvérsia:
- Em 2020, durante programa contra a violência doméstica, afirmou que a agressão à mulher poderia ser chamada de "instinto natural do ser humano".
- Em 2021, ao anunciar o Auxílio Emergencial Mineiro, declarou que muitos beneficiários não fariam bom uso do dinheiro e o gastariam "no bar" e "no boteco".
- Em 2022, comparou a derrubada de um veto pela Assembleia Legislativa, que garantiu reajuste a servidores públicos, ao gesto de um pai que cede ao pedido do filho para usar drogas.
- Em 2023, chamou os estados do Nordeste de "vaquinhas que produzem pouco", fala que foi duramente criticada pelo Consórcio de governadores da região.
- Em 2024, afirmou que homem "branco, heterossexual e bem-sucedido" é "rotulado de carrasco" no Brasil.