Enteado de Jaques Wagner cobrou pagamentos de ex-sócio do Master

Enteado de Wagner cobrou pagamentos a ex-sócio do Banco Master; PF apura vantagens indevidas ao senador
Mensagens obtidas pela Polícia Federal revelam que Eduardo Mendonça Sodré Martins, enteado do senador Jaques Wagner (PT-BA), cobrava pagamentos ao empresário Augusto Lima, ex-sócio do extinto Banco Master. As informações fazem parte da decisão do ministro do STF André Mendonça que autorizou a nova fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela PF, cujo sigilo foi retirado. Martins, atual secretário de Meio Ambiente do governo baiano, é alvo de mandados de busca e apreensão, assim como o próprio Wagner e Augusto Lima. A investigação apura suspeitas de envolvimento nas fraudes do extinto Banco Master.
Segundo os investigadores, Wagner teria recebido "vantagens econômicas indevidas" de Vorcaro e Lima para defender os interesses do banco no Congresso, direta ou indiretamente, "por intermédio de familiares, pessoas de confiança e estruturas societárias vinculadas ao grupo econômico investigado". A PF concluiu que Eduardo exerceu "papel ativo" nas cobranças a Lima. Em mensagem enviada em setembro de 2025, o enteado de Wagner escreveu: "Amanhã vence os boletos e são altos". Lima respondeu que o cenário estava "crítico", justificando a dificuldade financeira pelo fracasso da operação de venda do Master para o BRB (Banco de Brasília).
Na mesma conversa, obtida pela PF, Lima chegou a sugerir que Eduardo cancelasse uma nota fiscal para emiti-la novamente em outro momento. Um mês após essa cobrança, uma empresa ligada à família de Wagner recebeu uma transferência de R$ 3,5 milhões. O pagamento partiu da PKL One Participações S.A., firma vinculada a Lima, para a BN Financeira LTDA., que tem como uma das proprietárias Bonnie Bonilha, esposa de Eduardo e nora do senador.
A PF investiga se os repasses para a BN Financeira constituíram "vantagem indevida", com suspeita de que a empresa teria sido usada para ocultar a real origem do dinheiro, supostamente destinado a remunerar Wagner e seu entorno pela atuação do senador em favor do Master. Além disso, a PF encontrou planilhas com registros de pagamentos a Eduardo em valores superiores a R$ 2,3 milhões. O documento foi localizado no celular do advogado Daniel Monteiro, apontado como operador financeiro de Vorcaro, e menciona repasses a "Dudu", apelido que, segundo a investigação, corresponderia ao enteado de Wagner. As investigações da Operação Compliance Zero apontam para uma estrutura articulada de repasses financeiros envolvendo familiares e empresas ligadas ao senador Wagner, com o objetivo de beneficiar o extinto Banco Master no âmbito do Congresso Nacional.