PGR vê delação de Vorcaro perder força e pode rejeitar acordo

PGR avalia rejeitar proposta de Vorcaro no caso Banco Master após PF indicar segunda recusa por falta de provas
A possibilidade de a Procuradoria-Geral da República (PGR) rejeitar a nova proposta de delação premiada de Daniel Vorcaro ganhou força nos bastidores da investigação do caso Banco Master.
Embora ainda não exista uma negativa formal do órgão, procuradores e investigadores da Polícia Federal (PF) afirmam que aceitar a colaboração do ex-banqueiro é, hoje, o cenário menos provável.
Segundo o portal G1, a avaliação interna é de que Vorcaro não conseguiu apresentar provas suficientes para confirmar os relatos feitos até o momento, tampouco entregar fatos completos que justifiquem os benefícios de um acordo de colaboração.
A situação se agravou após a PF indicar que pretende rejeitar pela segunda vez a proposta apresentada pela defesa do empresário.
De acordo com fontes ligadas às investigações, as versões apresentadas por Vorcaro vêm perdendo sustentação a cada nova fase da Operação Compliance Zero e diante das descobertas feitas pela perícia nos celulares apreendidos com o ex-banqueiro.
A leitura dos investigadores é de que parte relevante do que ele relata já foi descoberta pela própria investigação ou carece de comprovação documental.
O problema das provas
Um dos principais entraves envolve a dificuldade de corroborar os fatos narrados.
Integrantes da investigação afirmam que documentos considerados essenciais para validar parte dos relatos ficaram sob controle do liquidante oficial do Banco Master após a liquidação da instituição financeira pelo Banco Central, em novembro do ano passado.
Com isso, Vorcaro não teria mais acesso direto a materiais internos do banco capazes de reforçar suas declarações.
Nos bastidores, investigadores também avaliam que o ex-banqueiro tenta ganhar tempo nas negociações.
Isso porque não existe prazo legal para a formalização da delação premiada, o que permite que novas propostas sejam apresentadas futuramente com eventuais complementações de provas.
Três caminhos para a PGR
A PGR trabalha atualmente com três possibilidades: rejeitar a colaboração — hipótese considerada a mais provável —, conceder mais prazo para ajustes ou aceitar o acordo caso surjam fatos inéditos acompanhados de provas robustas.
Mesmo sem a adesão da Polícia Federal, o Ministério Público pode negociar a delação de forma independente.
Ainda assim, integrantes da investigação defendem que o ideal seria uma posição conjunta dos dois órgãos.
As primeiras versões da colaboração foram entregues em maio e consideradas fracas pelos investigadores.
Entre os problemas apontados estavam a ausência de temas já apurados pela própria PF, como suspeitas envolvendo o senador Ciro Nogueira e o financiamento do filme Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro que teria recebido apoio financeiro após pressão do senador Flávio Bolsonaro.
Além das questões relacionadas à delação, a PF e a PGR também tentam garantir a devolução de R$ 60 bilhões atribuídos ao esquema investigado.
Os prejuízos relacionados ao colapso do Banco Master já ultrapassariam R$ 57 bilhões, segundo dados das apurações.
O cenário atual indica que a delação de Vorcaro caminha para o colapso, com a PGR inclinada a rejeitar a proposta diante da fragilidade das provas apresentadas e da falta de informações inéditas que agreguem valor à investigação.