Mortos em terremotos na Venezuela sobem para 1.430, diz governo

Rastro de destruição deixado pelos terremotos em La Guardia - Foto: Federico Parra
Organismos internacionais alertam que o número real de vítimas dos terremotos na Venezuela pode ultrapassar 10 mil pessoas
O número de mortos pelos intensos terremotos que devastaram a Venezuela subiu para 1.430, conforme balanço divulgado neste sábado (27) pelo governo do país.
A tragédia, que atingiu o norte do território e a capital Caracas na noite de quarta-feira (24), também deixou mais de 3 mil feridos e 3.100 pessoas desabrigadas, segundo dados oficiais.
Organismos internacionais alertam que o balanço real de vítimas pode ser significativamente maior.
Os dois terremotos ocorreram com intervalo inferior a um minuto e atingiram a região norte da Venezuela, incluindo a capital Caracas.
Os tremores provocaram o desabamento de edifícios, deixaram milhares de pessoas sem moradia e são considerados os mais intensos registrados no país em mais de um século.
O abalo mais forte foi registrado próximo à cidade de El Guayabo, a cerca de 168 quilômetros de Caracas, com magnitudes de 7,2 e 7,5.
Os epicentros estavam separados por aproximadamente cinco quilômetros.
O novo levantamento foi apresentado pelo presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, à imprensa estatal venezuelana.
Na sexta-feira (26), ele já havia informado que centenas de pessoas ainda estavam presas sob os escombros e que pelo menos 383 edifícios haviam desabado totalmente ou sofrido danos estruturais severos.
Apesar da atualização oficial, organismos internacionais avaliam que o impacto da tragédia pode ser ainda maior.
A Organização das Nações Unidas (ONU) e o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) consideram que o número real de vítimas tende a superar os dados já divulgados, diante da intensidade dos abalos, da concentração populacional das áreas atingidas e da dimensão dos danos.
Com base nessas características, o USGS estima que o total de mortos poderá ultrapassar 10 mil pessoas.
A Organização Internacional para as Migrações (OIM), ligada à ONU, estimou que até 6,8 milhões de pessoas possam ter sido afetadas pelos terremotos na Venezuela, sendo cerca de 2 milhões apenas na região de Caracas.
Já o Escritório de Coordenação de Ajuda Humanitária da ONU calcula que mais de 50 mil pessoas continuam desaparecidas.
Especialistas apontam que a baixa profundidade dos tremores intensificou os efeitos na superfície, ampliando o nível de destruição em áreas densamente povoadas.
Réplicas foram registradas em cidades costeiras, especialmente em La Guaira, uma das regiões mais atingidas.
O aeroporto internacional de Caracas também foi fechado após os abalos.
As operações de busca continuam em diferentes regiões da Venezuela com reforço internacional.
Segundo o governo, mais de 1.600 socorristas estrangeiros chegaram ao país nas últimas horas para auxiliar nos trabalhos.
De acordo com Oliver Blanco, integrante do Ministério das Relações Exteriores da Venezuela, 17 voos transportando equipes de resgate já desembarcaram no país, enquanto outros 25 voos são esperados nas próximas 24 horas.
Na sexta-feira, uma aeronave da Força Aérea Brasileira pousou na Venezuela levando médicos, cães farejadores e equipamentos especializados para as operações de salvamento.
O governo informou ainda que outros dois aviões brasileiros com ajuda humanitária devem seguir para o país.
A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, afirmou que outros dez países participarão dos esforços de resgate e que cerca de 14 mil militares e policiais foram mobilizados para atuar principalmente na região de La Guaira.
A tragédia que abala a Venezuela segue com contornos ainda incertos, enquanto as equipes de resgate trabalham contra o tempo para localizar sobreviventes sob os escombros.
Os dados oficiais e as estimativas internacionais divergem, mas convergem em um ponto: o impacto dos terremotos sobre a população venezuelana é de proporções históricas.