Trump defende acordo com o Irã no G7

Trump encerra cúpula do G7 na França defendendo o acordo com o Irã e afirma que queria evitar uma catástrofe econômica
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, defendeu na quarta-feira (17) o acordo firmado entre Washington e Teerã durante seu discurso de encerramento da cúpula do G7, realizada na França. Trump afirmou que a principal motivação para fechar o acordo foi evitar uma catástrofe econômica de grandes proporções. "Então, a única coisa que eu não queria ver era uma catástrofe econômica. Se tivéssemos continuado com isso, poderia ter acontecido", declarou Trump a repórteres presentes na cúpula. O acordo para o fim da guerra no Oriente Médio, assinado por Estados Unidos e Irã, inclui garantias de Teerã de que nunca desenvolverá armas nucleares, além de uma compensação financeira ao governo iraniano.
Essas informações foram divulgadas pela CNN Internacional, que afirmou ter tido acesso à íntegra do documento na mesma quarta-feira. O conteúdo do acordo ainda não foi oficialmente divulgado pelas partes. O texto foi assinado de forma virtual no fim de semana, segundo o governo dos EUA, e será firmado presencialmente em uma cerimônia na sexta-feira (19), em Genebra, na Suíça. Segundo a CNN Internacional, o acordo é composto por 14 pontos.
Entre os principais estão:
- A declaração mútua, junto de "seus aliados na guerra", de um fim imediato e permanente do conflito em todas as frentes;
- A reabertura do Estreito de Ormuz, bloqueado pelo Irã durante a guerra em retaliação aos ataques dos EUA e de Israel;
- Uma compensação financeira ao Irã em valor não determinado: o acordo prevê que Teerã poderá ter acesso a um fundo de US$ 300 bilhões (cerca de R$ 1,5 trilhão) caso cumpra a promessa de não desenvolver armas nucleares. Na mesma quarta-feira, no entanto, Trump negou a existência desse fundo;
- A derrubada de todos os tipos de sanções que incidem sobre o Irã, em prazo ainda a ser determinado por ambas as partes;
- A liberação de ativos e fundos iranianos que estavam congelados ou restringidos pelas sanções;
- O compromisso, por parte do Irã, de que nunca produzirá armas nucleares;
- O compromisso dos EUA e de seus "aliados regionais" de criar um plano para a reabilitação e o desenvolvimento econômico do Irã em até 60 dias;
- A permissão para que o Irã comercialize seu petróleo e produtos petroquímicos;
- A emissão, pelo Departamento do Tesouro dos EUA, de isenções para exportações de petróleo bruto iraniano, produtos petroquímicos e seus derivados, e "todos os serviços relacionados, incluindo bancários, de seguros, transporte e similares";
- Um entendimento para um acordo final em 60 dias, incluindo a questão do programa nuclear iraniano;
- O compromisso do Irã de restabelecer o tráfego de navios entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã aos níveis pré-guerra em até 30 dias;
- A aprovação do acordo final por uma resolução do Conselho de Segurança da ONU, após 60 dias.
O acordo não estabelece, segundo a rede norte-americana, qual o limite de enriquecimento de urânio que o Irã poderá produzir. O destino do material nuclear e do urânio já enriquecido pelo país também ficará para ser definido no acordo final, dentro do prazo de 60 dias. Trump, ao defender o entendimento, reforçou que a alternativa seria enfrentar consequências econômicas severas para a região e para o mundo.