Irã não confirma acordo citado por Trump para pôr fim à guerra

Bandeira do Irã hasteada próximo a esforços militares
Trump afirma que acordo com o Irã será assinado neste domingo e que o Estreito de Ormuz será reaberto imediatamente, mas Teerã ainda não confirmou
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o governo americano assinará um acordo neste domingo (14) com o Irã para encerrar o conflito no Oriente Médio, e que o Estreito de Ormuz será reaberto imediatamente após a assinatura.
No entanto, Teerã ainda não confirmou a informação, e a agência iraniana Fars, citando uma "fonte bem informada", declarou que "a República Islâmica do Irã ainda não tomou, nem anunciou sua decisão final".
Após uma semana marcada por novos ataques entre o Irã, de um lado, e Estados Unidos e Israel, do outro, Washington e Teerã anunciaram avanços significativos nas negociações. Ainda assim, persistem incógnitas sobre os termos de um possível acordo e sobre o calendário para sua conclusão.
Trump, que já anunciou sem sucesso acordos iminentes em diversas ocasiões anteriores, garantiu que a assinatura ocorrerá neste domingo, data de seu aniversário de 80 anos.
"Imediatamente depois que for assinado, o Estreito de Ormuz estará ABERTO PARA TODOS", escreveu em sua rede social Truth Social, acrescentando que os iranianos "não querem mais armas nucleares".
O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, cujo país atua como mediador no conflito, afirmou no sábado que o acordo seria assinado por via eletrônica nas próximas 24 horas e que os detalhes devem ser discutidos na semana seguinte.
Já a diplomacia iraniana mencionou a possível assinatura de um acordo nos próximos dias, mas não necessariamente no domingo, segundo a agência estatal Irna.
Uma delegação do Catar, outro país mediador, desembarcou neste domingo em Teerã, conforme informou a imprensa iraniana.
Algumas possíveis concessões do acordo geraram críticas entre líderes conservadores iranianos. No sábado, uma agência do país publicou um vídeo de dezenas de manifestantes gritando palavras de ordem contra o ministro das Relações Exteriores.
O histórico do conflito
O conflito teve início em 28 de fevereiro, com ataques de Israel e dos Estados Unidos contra o Irã, que respondeu com bombardeios contra alvos americanos nos países do Golfo aliados de Washington.
Em 2 de março, o Líbano entrou na guerra com ataques do Hezbollah contra Israel, que respondeu com uma ofensiva para "eliminar" o movimento xiita.
Os bombardeios israelenses provocaram mais de 3.700 mortes desde março, segundo o governo libanês.
Uma trégua em 8 de abril interrompeu a maior parte dos ataques diretos entre Irã e Estados Unidos, mas não incluiu Israel, nem paralisou a guerra no Líbano.
As negociações permanecem estagnadas em vários pontos: o programa nuclear iraniano, o controle do Estreito de Ormuz — crucial para o comércio mundial de combustíveis e fertilizantes agrícolas —, o fim das sanções ao Irã e a inclusão do Líbano no acordo de paz.
Segundo o ministro iraniano das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, o texto em negociação prevê o fim do bloqueio americano aos portos iranianos e uma nova gestão do Estreito de Ormuz, controlado por Teerã desde o início da guerra.
A agência iraniana Mehr publicou na sexta-feira um texto apresentado como rascunho de protocolo em 14 pontos, que inclui o direito ao enriquecimento de urânio e o desbloqueio rápido de 24 bilhões de dólares de fundos iranianos congelados no exterior, uma demanda crucial do Irã, cuja economia está asfixiada pelas sanções.
Sobre o urânio enriquecido, Trump afirma que os Estados Unidos vão recuperar o material "no momento oportuno". Até agora, Washington defendia que qualquer acordo deveria conduzir ao "desmantelamento" do programa nuclear iraniano e permitir recuperar o material para destruí-lo e retirá-lo do país.
Quanto ao Líbano, um funcionário de alto escalão do governo americano indicou que o país está incluído no acordo em discussão, como exigia Teerã.
Neste domingo, o Exército israelense informou que três drones lançados pelo Hezbollah a partir do Líbano atingiram o norte do território israelense, sem provocar vítimas.
Dois ministros de extrema direita do governo de Israel pediram ataques de retaliação contra os subúrbios do sul de Beirute, reduto do Hezbollah.