EUA retoma ataques e Trump diz que Irã pode “deixar de existir”

Foto: oficial da Casa Branca/Shealah Craighead)
EUA retomam ataques contra alvos iranianos no Estreito de Ormuz após Trump acusar o Irã de violar o cessar-fogo firmado em junho
O presidente Donald Trump elevou o tom das ameaças contra o Irã neste sábado (27/6), afirmando que a nação persa "deixará de existir" caso os Estados Unidos sejam "forçados a concluir militarmente" o confronto no Oriente Médio.
A declaração foi publicada na plataforma Truth Social e ocorreu logo após o Exército americano realizar novos ataques contra alvos militares iranianos nos arredores do Estreito de Ormuz.
Segundo Trump, o Irã teria violado o acordo de cessar-fogo firmado inicialmente em 7 de abril e reforçado por um memorando de entendimento com 14 pontos, assinado em 17 de junho.
"Aeronaves dos Estados Unidos acabaram de atacar locais de armazenamento de mísseis e drones iranianos, além de estações de radar costeiras, por violarem o Acordo de Cessar-Fogo, mais uma vez", declarou o presidente norte-americano.
A operação foi anunciada em comunicado do Comando Central dos EUA (Centcom) e descrita como uma "resposta direta à contínua agressão iraniana", cumprindo ordens diretas de Trump.
De acordo com o Exército dos EUA, o estopim para a retomada dos ataques foi um ataque iraniano com drones contra uma embarcação na quinta-feira (25/6), o que teria rompido o cessar-fogo entre os dois países.
Na sexta-feira (26/6), os EUA já haviam realizado o primeiro ataque contra alvos iranianos em Ormuz, apenas 10 dias após o anúncio da trégua. O Exército norte-americano classificou a ação como uma "resposta contundente" ao ataque ao navio comercial no Estreito de Ormuz, atribuído às forças iranianas. Os alvos atingidos foram instalações de armazenamento de mísseis e drones.
O Irã respondeu aos ataques americanos e, neste sábado (27/6), às 4h30 pelo horário da Costa Leste dos EUA, atacou o navio-tanque M/T Kiku, segundo o Centcom.
A embarcação atingida carregava bandeira do Panamá e navegava nas proximidades do Estreito de Ormuz transportando mais de 2 milhões de barris de petróleo bruto.
O Centcom informou que o trânsito de navios comerciais pela região continua e que as forças americanas "permanecem vigilantes, letais e prontas".
O Estreito de Ormuz é uma das rotas marítimas mais estratégicas do comércio global, com entre 20% e 25% de toda a produção mundial de petróleo passando pelo canal em condições normais.
A rota havia sido fechada desde o início do conflito entre os dois países, e a reabertura da navegação era um dos 14 pontos do memorando de entendimento firmado em 17 de junho.
Um ponto de tensão no acordo diz respeito à cobrança de taxas para a travessia de navios pela rota.
Trump afirmou que a passagem permaneceria gratuita, enquanto o Irã declarou ter o direito de cobrar das embarcações que utilizam o estreito, evidenciando uma das principais divergências entre as partes no processo de negociação.