Operação bloqueia R$ 80 mi de organização ligada ao TCP em MG, RJ e SP

Foto: Reprodução
Operação "Arrimo Duplo" mira a "Sala VIP", ligada ao TCP, com bloqueio de R$ 80 milhões e 43 mandados em três estados
A Polícia Civil do Rio de Janeiro, com apoio da Polícia Civil de Minas Gerais, deflagrou nesta sexta-feira (12/6) a operação "Arrimo Duplo", voltada contra a "Sala VIP", organização criminosa ligada à facção Terceiro Comando Puro (TCP).
A Justiça determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 80 milhões em bens e valores, além do sequestro de imóveis, veículos de luxo e outros ativos atribuídos ao grupo investigado.
A ação prevê o cumprimento de 43 mandados de busca e apreensão nos estados do Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo. Em Minas, os trabalhos contam com a participação do Departamento Estadual de Combate ao Narcotráfico (Denarc-MG).
De acordo com as investigações da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas e Inquéritos Especiais (Draco-IE), a organização atuava no Complexo do São Carlos, no Rio de Janeiro, e é suspeita de manter um esquema de lavagem de dinheiro, comércio ilegal de armas e extorsão de comerciantes e moradores da região.
Em Minas Gerais, duas lojas eram utilizadas pelo grupo: uma loja de roupas e uma empresa de motofrete, ambas em Belo Horizonte. Um dos líderes identificados é Rafael Carlos da Silva Pereira, conhecido como "Parazão" ou "Paraíba", apontado como líder da Sala VIP na Cabana do Pai Tomás, na capital mineira.
O "Braço Armado" da organização
O núcleo 3 da investigação, denominado "Braço Armado", reúne o irmão e seguranças de Parazão, além de três pessoas indicadas como intermediárias nas negociações da facção entre Rio de Janeiro e Minas Gerais, sendo duas delas mulheres. Uma dessas mulheres é apontada como a facilitadora da logística de troca de armas entre o Complexo do São Carlos e a Cabana do Pai Tomás.
O grupo também é investigado por expulsar famílias de seus imóveis e forçar a transferência de propriedades e estabelecimentos comerciais. Segundo as apurações, os bens passavam a integrar o patrimônio de pessoas físicas e jurídicas ligadas à organização, que utilizava empresas para ocultar recursos de origem ilícita.
As investigações revelaram que a estrutura criminosa do TCP não se limitava ao tráfico de drogas e ao controle territorial das comunidades. Os policiais identificaram um sistema de arrecadação baseado em ameaças, intimidações e cobranças impostas a comerciantes e moradores das áreas dominadas pela facção.
Outro foco da operação é o esquema de comércio ilegal de armas de fogo. Segundo a polícia, integrantes da organização seriam responsáveis pela negociação, intermediação e aquisição clandestina de armamentos destinados ao abastecimento de comunidades controladas pelo TCP.
Entre os investigados estão Anderson Rosa Mendonça, o "Coelho", apontado como líder da organização e atualmente preso; Leonardo Miranda da Silva, o "Empada"; Rafael Carlos da Silva Ferreira, o "Parazão" ou "Paraíba", com atuação e articulação logística também em Minas Gerais; e Marcílio Cherú de Oliveira, o "Menor Cheru".
A Polícia Civil informou que a investigação utilizou análise de dados telefônicos, inteligência policial, cruzamento de informações patrimoniais e financeiras, além da integração de dados entre órgãos de segurança. O objetivo foi identificar a estrutura de comando, os operadores financeiros e os responsáveis pela logística da organização.
Segundo os investigadores, a operação busca atingir simultaneamente a estrutura financeira, o patrimônio e o esquema de abastecimento de armas da facção.
As investigações continuam, e o material apreendido durante o cumprimento dos mandados poderá subsidiar novas fases da operação e a identificação de outros envolvidos.