Professores da rede municipal decidem seguir com a greve em BH

rede municipal de belo horizonte – sala de aula – escola – Divulgação PBH
Após reunião com secretário municipal, professores de BH aguardam assembleia do Sind-Rede para definir continuidade da greve de 43 dias
Após uma reunião de aproximadamente duas horas com o secretário municipal de Planejamento, Orçamento e Gestão, Bruno Passelli, os professores da rede municipal de Belo Horizonte adiaram para quarta-feira (10/6) a decisão sobre os rumos da greve que já completa 43 dias. O encontro realizado na segunda-feira (8/6) debateu alternativas para os descontos salariais dos grevistas e outros pontos de impasse entre a categoria e a prefeitura, mas encerrou sem acordo para o fim da paralisação. A assembleia da categoria está marcada para as 14h de quarta-feira.
Segundo a diretora do Sind-Rede/BH, Carol Pasqualini, os trabalhadores optaram por analisar com mais cautela os elementos apresentados pela administração municipal antes de definir a continuidade ou não do movimento. De acordo com Carol Pasqualini, grande parte da conversa girou em torno do corte de ponto dos grevistas e das consequências financeiras da paralisação. "Houve algumas conversas com relação à questão do pagamento e do próximo corte. Eles apresentaram algumas possibilidades com relação ao parcelamento do corte", explicou a diretora do Sind-Rede/BH.
Entretanto, a avaliação do sindicato é de que o principal impasse continua sendo a pauta salarial. A categoria exige a abertura de uma mesa de negociação para discutir o reajuste do piso nacional do magistério, fixado neste ano em 5,4%. Questionada sobre a disposição da prefeitura em avançar nesse tema, Carol afirmou que o cenário permanece indefinido. "Muito difícil. A prefeitura está muito intransigente", disse.
Enquanto a pauta salarial segue sem consenso, o Sind-Rede aponta progressos em outra frente de negociação: a atuação das Organizações da Sociedade Civil (OSCs) na educação municipal. Uma reunião realizada na semana passada com representantes da prefeitura avançou na construção de uma portaria para garantir que as atividades pedagógicas permaneçam sob responsabilidade dos professores concursados, sejam regentes ou profissionais do Atendimento Educacional Especializado (AEE).
Outro ponto debatido envolve a contratação de novos trabalhadores após a migração de profissionais atualmente vinculados à MGS. Segundo o Sind-Rede, a proposta prevê a realização de processo seletivo simplificado para futuras admissões. A greve teve início em 27 de abril e já ultrapassa seis semanas. O Sind-Rede sustenta que o encerramento da paralisação depende de maior disposição da prefeitura para negociar temas ainda pendentes, especialmente o corte de ponto, a reposição das aulas e as questões salariais.
A prefeitura, por sua vez, argumenta que já atendeu à maior parte das reivindicações apresentadas pela categoria. Entre os avanços reconhecidos pelo próprio Sind-Rede estão a criação de um comitê de transição para acompanhar profissionais terceirizados, a alteração da Lei Orgânica para impedir a substituição de professores da educação infantil, o avanço funcional para servidores com mestrado e doutorado e mudanças nas regras de planejamento extraclasse.