Pastor mineiro está entre os mortos após terremotos na Venezuela

Romildo havia completado 69 anos no último dia 21 — Foto: Reprodução/Redes Sociais
Romildo Batista de Lima, de 69 anos, morreu após uma parede cair sobre ele durante os terremotos que devastaram a Venezuela; família luta para trazer o corpo ao Brasil
O pastor Romildo Batista de Lima, de 69 anos, natural de Chapada de Minas (MG) e residente em Uberlândia há mais de uma década, morreu durante os terremotos que atingiram a Venezuela na quarta-feira (24).
Ele estava em viagem a Caracas com a esposa, Carlha Nacarid, quando os sismos devastaram a região norte do país.
Segundo a sobrinha dele, Jhulya Ribeiro de Lima, Romildo era um apaixonado por viagens e por aproveitar a vida.
Na noite de quarta-feira, dois terremotos em sequência sacudiram a região norte da Venezuela, derrubando prédios e deixando um rastro de destruição em Caracas e arredores.
Os tremores foram considerados os mais fortes no país em mais de 100 anos.
O número de mortos subiu para 920 pessoas até a sexta-feira (26), segundo balanço atualizado do governo venezuelano, com 2.980 feridos registrados.
"Meu tio era uma pessoa muito boa, uma pessoa radiante, que adorava viajar e aproveitar a vida. É muito triste ver pessoas assim perderem a vida dessa forma", disse Jhulya.
De acordo com a sobrinha, Romildo e Carlha tentavam se proteger do terremoto quando uma parede desabou sobre eles.
Romildo foi socorrido e levado a um hospital, mas não resistiu aos ferimentos e morreu na madrugada de quinta-feira (25).
Carlha sobreviveu, permanece internada com uma fratura na bacia e, segundo a família, está muito abalada.
Romildo havia completado 69 anos no dia 21 de junho, apenas três dias antes da tragédia.
O governo federal confirmou, na quarta-feira, a morte de dois brasileiros em decorrência dos terremotos, sem revelar as identidades.
Em nota, o Ministério das Relações Exteriores declarou: "O MRE informa, com grande pesar, o falecimento de uma cidadã e um cidadão brasileiros em consequência dos terremotos que atingiram a Venezuela. O MRE informa estar prestando assistência consular às famílias das vítimas".
Questionado pelo g1 sobre a confirmação da morte de Romildo, o Itamaraty informou que não divulga nem confirma informações pessoais de cidadãos que requisitam serviços consulares, em observância à Lei de Acesso à Informação e ao decreto 7.724/2012.
Família enfrenta dificuldades para trazer o corpo ao Brasil
A família de Romildo no Brasil soube da tragédia de forma inesperada.
A irmã dele viu uma reportagem na televisão sobre o terremoto na Venezuela e tentou entrar em contato com o casal. Inicialmente, não conseguiu falar com eles porque o celular havia sido perdido durante o desastre.
Horas depois, Carlha restabeleceu o contato e relatou o que havia acontecido.
Desde então, os parentes enfrentam dificuldades para trazer o corpo de Romildo de volta ao Brasil.
A família procurou o Consulado em busca de orientações sobre o traslado, mas ainda não obteve uma resposta definitiva. Até a sexta-feira (26), a certidão de óbito também não havia sido entregue.
"Seguimos sem resposta. É muito desesperador porque queremos trazer meu tio, principalmente para fazer um velório digno para ele. Eles ficam jogando o contato um para o outro", relatou a sobrinha Jhulya.
As informações sobre a morte de Romildo foram confirmadas à família pela própria Carlha e repassadas ao g1 por Jhulya Ribeiro de Lima.